Fotógrafo acreano vence prêmio nacional com registros de extremos climáticos na Amazônia

A vitória de Paulo Henrique veio acompanhada de um prêmio de R$ 30 mil, mas também de um reflexo do próprio isolamento geográfico da nossa região. Por questões de logística e prazos apertados de voos, o fotógrafo não conseguiu chegar a tempo na capital federal.
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O olhar sensível e urgente do fotógrafo acreano Paulo Henrique da Silva Costa, de 31 anos, conquistou o topo do fotojornalismo nacional. Morador de Cruzeiro do Sul, ele levou o 1º lugar na categoria Fotojornalismo do prestigiado Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira de Jornalismo e Comunicação.

O prêmio, anunciado em cerimônia oficial em Brasília (DF), consagra o projeto “Memória Visual do Vale do Juruá: A Amazônia Acreana em Tempos Extremos Climáticos”. A iniciativa documental registrou de forma visceral os impactos das mudanças climáticas na região.

Desenvolvido entre 2024 e 2026, o trabalho vencedor de Paulo Henrique não é apenas um compilado de belas imagens, mas um manifesto visual. O fotógrafo conseguiu capturar quatro fenômenos extremos que têm castigado o Vale do Juruá: seca severa: rios que desapareceram e isolaram comunidades; registros históricos da enchente de 2026 em Cruzeiro do Sul, que afetou mais de 28 mil pessoas. E ainda a fumaça e as queimadas que deixaram um rastro cinzento que cobriu o céu da floresta.

“O reconhecimento mostra a realidade do Vale do Juruá. Esse trabalho reforça uma frase que resume tudo o que faço: o Acre existe e o Vale do Juruá também”, afirmou nas redes sociais o fotógrafo.

Concurso

Promovido pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), o concurso foi altamente concorrido, somando 920 inscrições de todo o país.

A vitória de Paulo Henrique veio acompanhada de um prêmio de R$ 30 mil, mas também de um reflexo do próprio isolamento geográfico da nossa região. Por questões de logística e prazos apertados de voos, o fotógrafo não conseguiu chegar a tempo na capital federal.

“Me avisaram na terça-feira que eu era finalista e a cerimônia já era na quinta. Mesmo se estivesse na área urbana de Cruzeiro do Sul, não daria tempo de viabilizar a viagem. Então, indiquei um grande amigo, o João Raphael Gomes, para receber o prêmio por mim”, revelou Paulo Henrique ao G1.

Enquanto a cerimônia acontecia em Brasília, Paulo acompanhava tudo pela internet diretamente da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, onde desenvolve um projeto social de fotografia e comunicação com jovens tradicionais.

Uma homenagem a Dom e Bruno

Além do impacto ambiental, a premiação carrega um forte simbolismo emocional. O concurso homenageia o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira, assassinados em junho de 2022 no Vale do Javari (AM) enquanto lutavam pela proteção dos povos originários.

Para Paulo Henrique, vencer um prêmio com esses nomes traz uma responsabilidade gigante e um orgulho imenso:

“Estou muito feliz, grato e honrado por ter recebido esse prêmio que leva o nome de duas pessoas que perderam a vida lutando pela Amazônia e pela nossa casa. Foi lindo ver o Juruá brilhar ali.”

Foto de capa: Acervo Pessoal / Paulo Henrique da Silva Costa

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