HQ para as telas: ‘Brega Story’, de Gidalti Jr., vira série de streaming; autor fala com exclusividade ao Amazônia Incrível

A aclamada história em quadrinhos "Brega Story", do quadrinista, pintor e educador paraense, vencedor dos prêmios Jabuti, White Ravens, CCXP Awards e HQmix,  Gidalti Jr., erá adaptada para o formato de série audiovisual.
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A efervescência cultural, as cores pulsantes e o ritmo inconfundível do tecnobrega paraense estão prestes a conquistar as telas do streaming. A aclamada história em quadrinhos “Brega Story”, do quadrinista, pintor e educador paraense, vencedor dos prêmios Jabuti, White Ravens, CCXP Awards e HQmix,  Gidalti Jr., será adaptada para o formato de série audiovisual.

Vencedor do Prêmio Jabuti em 2017 por seu romance gráfico de estreia, Castanha do Pará, o autor conversou com exclusividade com o Portal Amazônia Incrível sobre as expectativas para a produção e a força da narrativa nortista no cenário nacional.

Publicada em 2021, Brega Story acompanha a trajetória de Wanderson, o “Rei do Brega”, um músico decadente e ambicioso que tenta a todo custo se manter relevante em meio às transformações tecnológicas e estéticas da periferia de Belém. Mais do que uma trama sobre a indústria da música, a obra é um mergulho profundo no cotidiano urbano amazônico, embalado por festas de aparelhagem, romance e os contrastes sociais da região.

Para Gidalti Jr., ver a obra ganhar o formato de série é o desdobramento natural de um universo que sempre dialogou muito de perto com o audiovisual. Para saber mais, confira a entrevista na íntegra:

1.A transição dos quadrinhos para a tela: Brega Story tem uma identidade visual muito marcante e uma narrativa perfeitamente amarrada ao formato das HQs. Como foi o processo de traduzir a estética e o ritmo dos quadrinhos para a linguagem audiovisual do streaming? Você participou ativamente da adaptação dos roteiros?

Eu tenho estado envolvido de maneira muito intensa em um novo projeto de quadrinhos, Todo ouro da Amazonia, e entreguei a adaptação para os excelentes profissionais envolvidos no projeto. O audiovisual e os quadrinhos são linguagens com muitos pontos de contato, mas é preciso levar em consideração as particularidades de cada uma para que a história funcione em sua potência máxima em cada mídia. Estou muito confiante na equipe que está realizando essa adaptação.

 

​2. A essência do “Brega” e a cultura nacional: O universo brega é rico em melodrama, cores vibrantes, música e uma passionalidade muito brasileira. Como você enxerga o potencial da série do streaming para celebrar ou ressignificar essa cultura “brega” para o grande público que talvez ainda não conhecesse o seu quadrinho?

O brega pode ser visto por diversas perspectivas, como música popular romântica do norte e nordeste, ou sob a perspectiva de suas reverberações e particularidades no Pará, ao mesclar-se com a cultura das aparelhagens, os estilos musicais caribenhos, e o tecnobrega. Ambas perspectivas partem da cultura popular e são, vota e meia, potencializadas pela grande mídia, aumentando seu alcance. O mesmo ocorre como os quadrinhos, que nasce da cultura popular e pode ser igualmente potencializado por mídias como a televisão e o cinema. Tanto o meu quadrinho, como o estilo brega, serão transformados e potencializados a partir da exposição no audiovisual, o que me deixa bastante animado.

A adaptação de Brega Story para o audiovisual é uma dupla vitória da cultura popular, pois apresenta uma história que tem sua gênese nos quadrinhos e explora o universo do Brega, do Tecnobrega e das aparelhagens nessa poderosa mídia brasileira, que é a televisão e o streaming da rede Globo.

3. ​O desenvolvimento e amadurecimento dos personagens: ao passar de uma HQ para uma série de TV, os personagens ganham mais tempo de tela, novas camadas e, claro, a interpretação de atores reais. Teve algum personagem que ganhou uma profundidade ou um rumo na série que te surpreendeu ou que ficou muito diferente do que você concebeu no papel?

Ao transpormos uma história de quadrinhos para o audiovisual, podemos sim, afirmar que a história e os personagens podem e devem ganhar novas camadas, perspectivas e transformações em vários aspectos, seja em personalidade, em conflitos ou mesmo nos visuais, e isso é natural do processo. Achei, por exemplo, que a escolha de elenco simplesmente incrível. Zaynara, Jesuíta Barbosa, Marcos Palmeira e Jhordan Mateus, incorporam de maneira magistral as personagens Rubi, Lana, Wanderson Jr e Pitchula respectivamente. O quadrinho Brega Story foi adaptado por Claudia Jouvin, que também assina os roteiros ao lado de André Sirangelo, Lúcia Tupiasú, Bruna Trindade e Mayara Sanchez. A direção é de Pedro Amorim e Daniela Carvalho, com produção de Mayra Lucas, da GLAZ, responsável por sucessos como “Rensga Hits!” e “O Caso Evandro”. Tento em vista esses nomes, tenho certeza absoluta que a série Brega Story será um sucesso.

​4. A expectativa com o público do streaming: O público de quadrinhos no Brasil é muito apaixonado, mas o alcance do streaming é massivo e diversificado. Qual é o seu maior frio na barriga em relação à reação dos novos espectadores que vão travar o primeiro contato com a sua história diretamente pela plataforma de streaming?

De maneira geral, não dá para comparar o alcance dos quadrinhos, especialmente dos autorais brasileiros, com mídias como a televisão, o cinema ou o streaming. Portanto, estou absolutamente consciente das transformações e dos diferentes fenômenos ao se ter uma história adaptada de uma mídia para outra. Não existe ansiedade por uma perspectiva negativa, pois tenho total noção de onde estamos pisando. Há apenas uma euforia em ver isso tudo acontecer.

Sobre o autor

Gidalti é vencedor do primeiro prêmio Jabuti na categoria história em quadrinhos com Castanha do Pará, em 2017. Lançou Brega Story, que venceu o prêmio HQMIX de melhor álbum nacional, o CCXP Awards de melhor álbum, e foi finalista do prêmio Jabuti. Suas obras são contextualizadas na Amazônia e na região Norte do Brasil.

Resumo Obra

Brega Story, nova graphic novel de Gidalti Jr., ambienta-se nos bastidores do universo do brega de Belém do Pará, reproduzindo nos quadrinhos a explosão de som, luzes, cores e formas de um dos gêneros musicais mais expressivos do Brasil. Para produzir Brega Story, Gidalti dedicou-se a uma intensa pesquisa gráfico-musical. A empreitada culmina em uma narrativa que explora o contraste entre as manifestações culturais periféricas e o mainstream, entre o erudito e o popular, com personagens que vivem a vertigem do sucesso e do fracasso, marcados pelo abandono e precarizados pela vida. O livro tem 320 páginas e é parcialmente colorido em aquarela. A crocodilagem tá aí, é só dar mole pra ser abocanhado.

Brega Story acompanha a trajetória de Wanderson Jr., músico que, embora carregue o título de Rei do Brega, tem que se virar para manter a coroa. Além de lutar para adaptar-se às mudanças trazidas pelo tempo, ele tem que negociar com os políticos regionais, com DJs de aparelhagens e com outros músicos para levar adiante seu grande plano de ser uma grande estrela nacional e, quem sabe, internacional.

 

 

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