A cultura ocupou diferentes espaços de Manaus durante seis dias de programação. A 2ª Mostra de Teatro Águas de Manaus (MTAM) encerrou a edição no último domingo (16) com um público superior a 6 mil pessoas, reunindo sete espetáculos nacionais e locais e duas atividades formativas.
A programação apresentou diferentes linguagens artísticas, entre elas teatro, circo, música e palhaçaria, e levou ao público discussões sobre memória, identidade, representatividade, acessibilidade e cultura popular.
Mais do que concentrar as apresentações nos espaços tradicionais de teatro, a Mostra apostou na descentralização da programação cultural, ocupando diferentes regiões da capital e aproximando as artes cênicas de públicos que nem sempre conseguem frequentar os principais equipamentos culturais da cidade.
As apresentações passaram pelo Teatro Amazonas, Ponta Negra, Largo São Sebastião, Centro Cultural Casarão de Ideias, Teatro ICBEU e Centro Estadual de Convivência da Família Padre Pedro Vignola, na Cidade Nova.

Teatro para além dos palcos tradicionais
Um dos destaques desta edição foi justamente a distribuição das atrações pela cidade.
Na abertura, em 11 de agosto, o Teatro Amazonas recebeu “Tom na Fazenda”, uma das montagens brasileiras de maior circulação internacional. O espetáculo, dirigido por Rodrigo Portella e protagonizado por Armando Babaioff, também ganhou uma segunda apresentação no Teatro ICBEU, no dia 13.
A montagem aborda questões como homofobia, violência e relações familiares e já ultrapassou a marca de 600 apresentações.
Na Cidade Nova, a Mostra levou duas atrações ao Centro Estadual de Convivência da Família Padre Pedro Vignola. O espaço recebeu “Aaarrg! Piratas!”, de Iogan Montefusco e Emily Danali, que mistura teatro, circo e música em uma aventura inspirada no universo do Rio Negro.

Na sequência, o Grupo Magiluth, de Pernambuco, apresentou “Luiz Lua Gonzaga”, espetáculo inspirado na trajetória e no universo cultural de um dos grandes nomes da música nordestina.
Samba também entrou na programação
No sábado (15), o público ocupou o Anfiteatro da Ponta Negra para acompanhar “O Samba das Moças”, espetáculo cênico-musical dedicado a mulheres que ajudaram a construir a história do samba brasileiro.
A montagem homenageou nomes como Dona Ivone Lara, Clara Nunes e Alcione.
A noite terminou com o cantor Uendel Pinheiro, que levou ao palco um repertório de samba e pagode.
Último dia teve três atrações
A programação foi encerrada no domingo (16) com três apresentações gratuitas.
No Casarão de Ideias, o público acompanhou “O Sarau do Feupuudo”, espetáculo de palhaçaria que também utiliza a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como forma de comunicação.
Já no Largo São Sebastião, foram apresentados “Fértil em Terras Áridas”, do Ateliê 23, e mais uma sessão de “Luiz Lua Gonzaga”, do Grupo Magiluth.
Acessibilidade em toda a programação
Outro ponto destacado pela organização foi a preocupação com a acessibilidade.
Todas as apresentações contaram com tradução em LIBRAS e audiodescrição, ampliando as possibilidades de participação de pessoas com deficiência.
A iniciativa também contou com articulação com instituições sociais e lideranças comunitárias para ampliar o acesso do público à programação.
Segundo Simony Dias, gerente de Responsabilidade Social da Águas de Manaus, a proposta é aproximar a cultura de diferentes territórios da cidade, envolvendo comunidades, artistas e instituições.
Além das apresentações, a Mostra também buscou fortalecer a formação de profissionais e estudantes ligados às artes cênicas.
Formação e intercâmbio
Nos dias 12 e 13 de agosto, artistas, estudantes e profissionais da cultura participaram de duas atividades formativas gratuitas, realizadas em parceria com a Federação de Teatro do Amazonas (FETAM).
Entre as ações esteve a oficina “Audiodescrição Poética na Área de Acessibilidade Cultural”, conduzida pela FETAM.
Também foi realizado o encontro “Tom na Fazenda e a Internacionalização do Teatro Brasileiro”, com integrantes da equipe de produção do espetáculo.
A proposta foi criar um espaço de troca de experiências e ampliar a discussão sobre acessibilidade e circulação da produção teatral brasileira.
Cultura e ocupação da cidade
Para o diretor cultural do Instituto Brasileiro de Teatro, Oliver Tibeau, o número de participantes demonstra que existe interesse do público quando a programação cultural consegue chegar a diferentes regiões.
A segunda edição da Mostra reforçou justamente essa proposta: levar o teatro até as pessoas, ocupando espaços culturais, áreas públicas e equipamentos comunitários.
Em seis dias, a programação conectou diferentes linguagens artísticas e públicos, mostrando que a produção teatral pode circular para além dos palcos tradicionais e alcançar novos territórios dentro de Manaus.
Sobre a Mostra
A Mostra de Teatro Águas de Manaus é realizada pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), e pelo Instituto Brasileiro de Teatro (iBT).
O evento conta com apresentação da Águas de Manaus, apoio institucional da Benevolência e do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), além do suporte cultural da Federação de Teatro do Amazonas (FETAM).