Toy Story 5 atualiza a franquia para um mundo onde a atenção virou disputa

O diretor Andrew Stanton e a roteirista McKenna Harris conseguem fazer com que o espectador compre rapidamente os conflitos apresentados sem que a narrativa pareça uma simples repetição das aventuras anteriores.
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A Pixar fez seu nome com produções animadas originais que conquistaram o coração do público ao fazer com que sintamos empatia por carros, insetos, monstros e, claro, brinquedos. Nos últimos anos, sua reputação se abalou após lançamentos que causaram polêmica ou, no mínimo, falharam em causar os mesmos sentimentos de suas obras anteriores. Depois de alguns desses tropeços comerciais, o estúdio começou a lançar várias sequências ou derivados de seus filmes mais aclamados. Foi então que, mesmo após a história dos brinquedos parecer ter sido concluída em Toy Story 3, o estúdio surpreendeu ao lançar o quarto filme da franquia em 2019. Agora, 7 anos depois, mais um.

Não há dúvidas de que a Pixar queira garantir um alto retorno financeiro, mas mesmo dentro de todo esse contexto, felizmente, os méritos de Toy Story 5 falam mais alto dentro da sala de cinema. A xerife Jessie assume o protagonismo do elenco dos brinquedos nessa história que volta a falar sobre crescimento, mas agora inserido no ambiente do excesso de telas. Bonnie é uma criança lúdica e criativa que não consegue se conectar com as outras da sua idade porque ainda não abandonou seus bonecos pela nova febre entre os pequenos: a Lilypad. Paralelamente, um grupo perdido de bonecos Buzz Lightyear busca encontrar o Comando Estelar.

O diretor Andrew Stanton e a roteirista McKenna Harris conseguem fazer com que o espectador compre rapidamente os conflitos apresentados sem que a narrativa pareça uma simples repetição das aventuras anteriores. O tema da tecnologia surge de maneira atual, mas sem transformar o filme em uma crítica contundente às telas ou aos hábitos das novas gerações.

Pelo contrário, Toy Story 5 adota uma postura conciliatória ao sugerir que o problema não está necessariamente nos dispositivos, mas na forma como eles são utilizados. Embora essa abordagem evite moralismos fáceis, ela também pode ser vista como confortável para as grandes empresas de tecnologia, ao deslocar a responsabilidade dos produtos para seus usuários. Nesse sentido, a mensagem do filme soa alinhada a uma visão bastante contemporânea (e, para alguns espectadores, até pró-big techs) ao defender que as novas tecnologias podem coexistir harmonicamente com a imaginação infantil desde que sejam usadas da maneira “correta”.

Jessie carrega a trama com segurança e carisma. Sua liderança ganha novas camadas ao colocá-la diante de um cenário em que os brinquedos não competem mais apenas com o crescimento natural das crianças, mas também com formas de entretenimento capazes de monopolizar sua atenção. Ao mesmo tempo, a jornada dos Buzz Lightyear rende alguns dos momentos mais divertidos do longa.

Visualmente, a Pixar continua impressionante. As animações alcançam um nível de detalhamento que reforça o contraste entre o universo imaginativo dos brinquedos e a frieza tecnológica representada pela Lilypad. A trilha sonora também contribui para criar o tom emocional característico da franquia, evocando memórias sem depender excessivamente delas.

O filme não se equipara ao impacto revolucionário dos primeiros capítulos da saga, mas consegue dialogar com uma nova geração de crianças enquanto conversa com os adultos que cresceram ao lado desses personagens.

Ao final, fica a sensação de que a Pixar encontrou uma história que realmente valia a pena contar. Em vez de apenas explorar uma marca lucrativa, o estúdio entrega uma continuação que preserva a essência da franquia: falar sobre amizade, pertencimento e as inevitáveis mudanças da vida. Toy Story 5 talvez não seja o encerramento definitivo da jornada desses brinquedos, mas é uma aventura emocionante e divertida.

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