ANCESTRALIDADE: Guerreiros Mura leva cultura Apurinã ao Festival de Cirandas

Agremiação apresentou o tema “Ykawarú: A cosmogonia do bem e do mal Apuricá” e terminou a disputa pelo título em segundo lugar, com 278,6 pontos.
Redação Amazônia Incrível
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A Guerreiros Mura levou ancestralidade indígena, cores, dança e tecnologia para a arena do Parque do Ingá, em Manacapuru, durante a segunda noite do 28º Festival de Cirandas. A apresentação, realizada no sábado (29), teve como tema “Ykawarú: A cosmogonia do bem e do mal Apuricá”, inspirado na narrativa ancestral do povo Apurinã.

O espetáculo combinou elementos tradicionais da ciranda com novas construções coreográficas. Ao longo da apresentação, o cordão de cirandeiros formou diferentes desenhos na arena, misturando movimentos inspirados em referências indígenas com passos de balé.

As alegorias também tiveram papel importante na construção da narrativa. Estruturas de grandes dimensões, efeitos tecnológicos, iluminação e cores vibrantes foram utilizados para transformar o cenário conforme a história avançava.

Tradição e inovação
A proposta da Guerreiros Mura foi apresentar ao público uma narrativa ligada à ancestralidade e à relação dos povos originários com a natureza, sem deixar de lado os elementos que fazem parte da identidade das cirandas de Manacapuru.

Os próprios brincantes participaram da composição visual do espetáculo. O cordão acompanhou as mudanças do enredo e ajudou a representar personagens e momentos importantes da história apresentada na arena.

Nas arquibancadas, a Torcida Nação Guerreirense acompanhou a apresentação e incentivou os cirandeiros durante o espetáculo.

Para o presidente da agremiação, Renato Teles, levar o trabalho desenvolvido ao público representava uma grande responsabilidade. Segundo ele, a apresentação também simbolizava uma prestação de contas do investimento recebido pela agremiação.

Seis meses de preparação
A apresentação foi resultado de meses de preparação. Sheila Emanuely, que participa do cordão há dois anos, destacou a emoção de entrar na arena depois de aproximadamente seis meses de trabalho.

A cirandeira afirmou que o momento representava o resultado do esforço de todos os integrantes envolvidos na preparação do espetáculo.

A apresentação também teve um significado especial para Cristiane Matos, integrante da Guerreiros Mura há 23 anos. Em sua participação deste ano, ela revelou a intenção de encerrar a trajetória no cordão de cirandeiros, destacando a relação construída com a agremiação ao longo de mais de duas décadas.

Guerreiros Mura fica em segundo
Na apuração realizada na segunda-feira (31), a Guerreiros Mura terminou o festival na segunda colocação, com 278,6 pontos. A diferença para a campeã, Ciranda Tradicional, foi de apenas 1,2 ponto.

A Tradicional somou 279,8 pontos e conquistou o bicampeonato do Festival de Cirandas de Manacapuru.

A disputa deste ano foi realizada excepcionalmente entre apenas duas agremiações. A Flor Matizada participou do festival, mas abriu mão da disputa pelo título após a morte do artista plástico Jone Salgado, integrante da equipe responsável pela montagem das alegorias. A agremiação recebeu o troféu Hors-Concours, como premiação simbólica.

Mesmo sem conquistar o título, a Guerreiros Mura encerrou sua participação com um espetáculo que colocou a ancestralidade indígena e a cultura amazônica no centro da arena, reforçando a força das cirandas como uma das principais manifestações culturais de Manacapuru.

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