Luiz Braga tem obra fotográfica declarada Patrimônio Cultural do Pará e participa de documentário de Jayme Matarazzo

Uma de suas características é o enfoque, que passa ao largo das visões estereotipadas e superficiais sobre a Amazônia.
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A obra do fotógrafo paraense Luiz Braga foi reconhecida como patrimônio cultural e artístico de natureza material e imaterial do Estado do Pará, pela Lei nº 11.551, de 19 de junho de 2026, sancionada pela governadora do Estado, Hana Ghassan Tuma. Essa legislação foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado do Pará nesta segunda-feira, 22 de junho.

O fotógrafo foi o convidado de Jayme Matarazzo no sexto episódio da série documental “Click – Expedições Fotográficas”, disponibilizado no Globoplay. Intitulado “O povo das águas”, o capítulo acompanha os dois em uma expedição pela Ilha do Marajó (PA), onde percorrem paisagens, comunidades e registram aspectos do cotidiano da população local.

A produção acompanha Jayme em diferentes destinos, sempre na companhia de fotógrafos brasileiros convidados. Ao longo dos episódios, o ator compartilha seu processo de aprendizado no universo da fotografia, enquanto conhece a trajetória, o olhar e as experiências dos profissionais que o acompanham.

O Amazônia Incrível conversou com o fotógrafo, que estava em viagem.  Confira a entrevista:

1.  Luiz, sua obra foi oficialmente declarada Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Pará. Como é para você receber essa honraria sabendo que o seu olhar, que sempre buscou a dignidade e a beleza no cotidiano invisibilizado do Norte — agora é, por lei, parte da identidade do seu povo? Esse reconhecimento mudou de alguma forma a sua responsabilidade ao apontar a câmera para a Amazônia?

O compromisso e a responsabilidade estão comigo desde o início e seguirão até o fim. O reconhecimento na minha terra é motivo de honra e satisfação.

2.  O Jayme mencionou que essa viagem foi guiada pela sua espontaneidade e por uma ‘cartografia de afetos’ que você tem com o Marajó. Como foi compartilhar esse mapa sentimental e o seu processo criativo com ele? De que forma a presença de um parceiro de viagem tão atento influenciou o seu ritmo e a sua forma de registrar o cotidiano marajoara neste projeto?

A complicidade do Jayme e de toda a equipe envolvida foi decisiva para o resultado que está na tela pois minha sensibilidade e intimidade com o povo e a cultura do Marajó puderam ser delicadamente abordados durante os dias intensos que vivemos juntos lá. O acolhimento do povo que lá vive foi fundamental para o desenvolvimento do projeto.

3. Você é mundialmente conhecido pela sua maestria com as cores e a luz paraense (os azuis, os verdes, as luzes de mercúrio). Ao cruzar as ruínas históricas da Vila de Joanes e as cores vibrantes da Comunidade do Céu, o que o Marajó te apresentou de novo visualmente? O que ainda te surpreende na luz e nas cores daquele lugar?

As camadas de vida que só se revelam nas dobras e entranhas com o amadurecimento surgido com muitas idas e vindas

4. O Marajó é marcado pelos seus contrastes e pela generosidade do seu povo.Mas também vocês já passou por diversos lugares da Amazônia. Diante de tantas conexões feitas na sua vida profisisonal, qual foi o momento ou o encontro humano que mais te marcou e que você sabe que ficou eternizado não apenas no sensor da câmera, mas na sua história pessoal?

A minha primeira visita à Comunidade Quilombola de Pau Furado ( em Salvaterra/Marajó) em 2013, por sugestão da amiga @jazz_tupinamba , foi onde percebi que havia um território de acolhimento que me permitiu exercer a fotografia humanista que me move.

Quem é Luiz Braga

Luiz Braga nasceu em 1956, em Belém do Pará, e teve o primeiro contato com a fotografia aos 11 anos. Em 1975 montou seu primeiro estúdio para trabalhar com retratos, ao mesmo tempo em que ingressava na Faculdade de Arquitetura, onde se graduou em 1983, embora nunca tenha trabalhado como arquiteto. Até 1981, fotografava principalmente em preto e branco.

Suas primeiras exposições (1979 e 1980) eram compostas de cenas de dança, nus, arquitetura e retratos. Após essa fase, descobriu as cores vibrantes da visualidade popular Amazônica, e, convidado pela Funarte, viajou pela região aprofundando o ensaio que seria exibido sob o título “No olho da rua” (Centro Cultural São Paulo, 1984), iniciando seu amadurecimento autoral. Em “A margem do olhar” (1985 a 1987) retorna ao preto e branco dos primeiros tempos, retratando com dignidade o caboclo amazônico em seu ambiente.

Exibido nacionalmente em 1988, esse ensaio rendeu-lhe o Prêmio Marc Ferrez, conferido pelo Instituto Nacional da Fotografia. O encantamento pela cor da sua região e as possibilidades pictóricas extraídas do confronto entre a luz natural e as múltiplas fontes de luz dos barcos, parques e bares populares resultam no ensaio “Anos luz”, premiado em 1991 com o “Leopold Godowsky Color Photography Awards”, da Boston University e exibido no Museu de Arte de São Paulo (Masp) em 1992.

Uma de suas características é o enfoque, que passa ao largo das visões estereotipadas e superficiais sobre a Amazônia.

A outra é o domínio da cor, com a qual passou a ser referência na fotografia brasileira contemporânea. Realizou mais de 200 exposições entre individuais e coletivas no Brasil e no exterior, e suas fotografias compõem coleções públicas e privadas importantes, como a do Museu de Arte Moderna de São Paulo, do Centro Português de Fotografia, do MAR – Museu de Arte do Rio e da Pinacoteca do Estado de São Paulo, entre outras. Em 2004, usando uma câmera digital com recurso de visão noturna inicia a série Nightvisions, cuja tonalidade monocromática esverdeada flerta com a gravura de água-forte. Adaptando seu uso para a luz do dia, surge o naturalista que passa a incluir em suas obras aspectos da paisagem de rios, igarapés e florestas, expandindo o seu universo e a sua técnica.

Em 2009, foi um dos representantes do Brasil na 53a Bienal de Veneza. Sua exposição “Retumbante Natureza Humanizada” (SESC Pinheiros/SP) foi premiada pela APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte como “Melhor Exposição de Fotografia de 2014”. Vive e trabalha em Belém.

Principais prêmios

 

Prêmio APCA

Associação Paulista de Críticos de Arte. Melhor Exposição de Fotografia 2014

 

Situações Brasília 2014

Prêmio de Arte Contemporânea

 

Prêmio Marcantonio Vilaça

Funarte, 2009

 

14° Salão da Bahia

2008

 

Prêmio Porto Seguro de Fotografia

Categoria Brasil, 2003

 

Nikon Photo Contest International

Japão, 2000-2001

 

The Leopold Godowsky Jr Color Photography Awards

Estados Unidos, 1990

 

4º Salão FINEP de Fotojornalismo

1999

 

Bolsa Vitae de Artes

Concurso Nacional, Fundação Vitae, 1996

 

Prêmio Marc Ferrez

Instituto Nacional da Fotografia, Funarte, 1988

 

VII Salão Nacional de Artes Plásticas

Funarte, 1985

 

Salão Arte Pará

Premiado em 1985, 1987 e 1988

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