*Colaboração de Alana Vieira – repórter Amazônia Incrível em Porto Velho/RO
Nair Gurgel do Amaral é uma das mais destacadas professoras, pesquisadoras e escritoras do estado de Rondônia, com um trabalho fundamental na catalogação, preservação e difusão da identidade cultural e linguística da Amazônia Ocidental.
Com uma trajetória profundamente ligada à Universidade Federal de Rondônia (UNIR), ela se consolidou como a principal referência nos estudos sobre o dialeto local, sendo a mente por trás do famoso projeto do minidicionário “Portovelhês”.
Mesmo após a aposentadoria, a doutora em Linguística continua cruzando o Brasil com uma missão clara: manter viva e pulsante a identidade da região Norte. Reconhecida nacionalmente pelo trabalho em defesa da cultura amazônica, a pesquisadora segue com uma agenda intensa, sendo constantemente requisitada para participar de bancas acadêmicas, ministrar palestras e coordenar cursos de extensão.
Por onde passa, ela compartilha muito mais do que teoria: ela leva a riqueza das expressões, a história e a complexidade da linguagem que molda a vida nos estados do Norte.
Confira o vídeo com uma reportagem especial sobre a autora e suas obras:
Referência na literatura
Com diversos livros publicados voltados para a valorização da cultura nortista, a escritora se consolidou como uma das principais referências nos estudos sobre as manifestações linguísticas da região. Suas obras funcionam como pontes que conectam a academia ao grande público, traduzindo a identidade amazônica em páginas acessíveis e cheias de memória.
Agora, o seu próximo projeto promete estreitar ainda mais esse laço, trazendo um olhar atento e afetuoso para o linguajar típico da capital de Rondônia.
“Nossa linguagem é o nosso maior patrimônio material e afetivo. Registrar essas expressões não é apenas documentar palavras, é salvaguardar a alma e a história do nosso povo para as próximas gerações.”
O ‘Portovelhês’ em foco
O novo lançamento da autora é o minidicionário “Portovelhês”, uma obra inteiramente dedicada a reunir termos populares, gírias e expressões características que ecoam pelas ruas de Porto Velho.
Muito além de um glossário, o livro nasce com o propósito de reforçar a preservação da memória cultural e da identidade linguística amazônica, mostrando que a forma de falar do norte-americano da Amazônia é rica, única e merece ser celebrada em todo o território nacional.
Trajetória Acadêmica e Profissional
Doutora em Linguística e Língua Portuguesa, Nair Gurgel dedicou décadas à docência no Departamento de Letras da UNIR, em Porto Velho, atuando na graduação e no Mestrado em Estudos Literários.
Mesmo após a sua aposentadoria como professora associada, ela permanece uma figura central e extremamente ativa no cenário acadêmico e cultural, sendo frequentemente convidada para compor bancas de mestrado e doutorado por todo o país; proferir palestras e conferências sobre a linguagem amazônica e ainda ministrar cursos de extensão e oficinas literárias.
O foco principal de suas investigações sempre foi a Linguística Histórica, a Dialetologia and a Sociolinguística, com ênfase em como o falar do rondoniense reflete a história de migração e a mistura de culturas que formaram o estado.
Entre suas contribuições de maior impacto cultural estão:
O Projeto “Portovelhês”: Nair assumiu a missão de mapear, registrar e dicionarizar as gírias, expressões e o léxico característico dos moradores de Porto Velho. Termos nascidos na beira do Rio Madeira, nos seringais, na construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e no cotidiano urbano ganharam status de patrimônio linguístico sob o seu olhar atento.
Literatura Regional: Além de artigos científicos, é autora e organizadora de diversas obras coletivas e livros didáticos/culturais que buscam aproximar a comunidade de sua própria história, combatendo o preconceito linguístico e valorizando a fala nortista.
Reconhecimento e Imortalidade Cultural
O impacto de seu trabalho ultrapassou os muros da universidade e ganhou as ruas e as instituições de prestígio do estado:
Defesa da Amazônia: Seu trabalho é frequentemente citado como um escudo contra o apagamento cultural, mostrando que a Amazônia não possui apenas uma vasta biodiversidade natural, mas também uma riqueza humana e dialetal única, que precisa ser exportada e respeitada pelo resto do Brasil.
Seja resgatando uma expressão antiga usada pelos pioneiros de Rondônia ou levando o nome do estado para os grandes centros acadêmicos do país, Nair Gurgel do Amaral segue como uma das vozes mais potentes e necessárias da intelectualidade amazônica.