Corporação sob suspeita: Além do crime aborda o longo caminho por Justiça no Caso Deusiane Pinheiro

Caso da PM morta dentro de base flutuante em Manaus. Suicídio ou Feminicídio? O crime que desafiou a versão oficial dentro da polícia
Redação Amazônia Incrível
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Na próxima quinta (11), o podcast Além do Crime abordará o caso Deusiane da Silva Pinheiro, que foi achada morta com o tiro de uma  arma nas dependências da base flutuante do Batalhão Ambiental da PM, no Tarumã, zona Oeste de Manaus, no dia 1º de abril de 2015. O podcast traz à luz esse caso cheio de mistério e reviravolta, um caso que até hoje incomoda muita gente.

A soldada sofria perseguição por parte de Elson dos Santos Brito conforme relatos de familiares. Em 2017, ele e outros quatro agentes foram denunciados pelo crime. A tese da família é que houve feminicídio. A cena do crime também teria sido manipulada, para acobertar o autor.

Para debater o caso, o podcast traz a psicóloga Maressa Mendonça e a advogada Laurri Sarubi.

Relembre o caso

O Ministério Público denunciou à Justiça, no dia 26 de julho de 2017, cinco policiais militares pelo assassinato de Deusiane. Na denúncia oferecida pelo MP-AM, o Cabo PM Elson dos Santos Brito é apontado como o autor do disparo que matou a policial militar. Os cabos Jairo Oliveira Gomes, Cosme Moura Souza e Narcízio Guimarães Neto, além do soldado Júlio Henrique da Silva Gama, foram denunciados por falso testemunho.

A denúncia contraria a versão de suicídio apresentada por Elson dos Santos Brito, tomando por base os laudos periciais das armas apresentadas, os registros lançados pelo armeiro Jairo Oliveira Gomes e os depoimentos colhidos. Segundo a denúncia formulada pelo promotor de Justiça Edinaldo Aquino Medeiros, Elson matou Deusiane, trocou o ferrolho de sua arma com o ferrolho de outra arma, e a apresentou como a que teria sido usada no suicídio.

A análise dos registros do armeiro Jairo Gomes apontou que a arma apresentada como a que teria sido usada por Deusiane para cometer o suicídio estava acautelada para o sargento B. Andrade. A perícia constatou, ainda, que o ferrolho desta arma, onde havia maior concentração de sangue da vítima, havia sido trocado com o ferrolho da arma acautelada para Elson dos Santos Brito. A troca dos ferrolhos teria sido feita com a conivência dos demais PMs acusados.

No dia do crime, estavam no piso superior da embarcação ‘Peixe-Boi’, o denunciado Elson e a vítima. No piso inferior, estavam o soldado PM Júlio Gama e os cabos PM Jairo Gomes, Cosme Sousa e Narcízio Neto. Em depoimento, os quatro confirmaram a versão de suicídio apresentada por Elson, alegando ter ouvido barulho no piso superior seguido de disparo de arma de fogo, e que, tendo subido a escada, encontraram o denunciado Elson e a vítima Deusiane ferida no chão.

O casal vivia uma relação conturbada pelo ciúme excessivo de Elson. Testemunhas relatam que a situação entre eles se agravou depois que Elson reatou com a ex-companheira, insistindo em manter o relacionamento com Deusiane, que não aceitava o triângulo amoroso. A vítima exigiu uma solução para o impasse e acabou sendo assassinada.

Além do Crime

O desbravador Além do Crime é o primeiro podcast de crimes reais da Região Norte do Brasil. Idealizado, produzido e apresentado pela jornalista Bruna Chagas, o projeto nasceu em Manaus e ganhou enorme destaque regional e nacional.

O Além do Crime foca no jornalismo investigativo e na análise técnica, como elemento de destaque. A dinâmica do programa envolve debater casos marcantes recebendo geralmente dois tipos de convidados por episódio:

Quem viveu o caso de perto: Peritos, investigadores, delegados, promotores e juízes que trazem os bastidores reais e os detalhes técnicos das investigações.

Profissionais da mente: Psicólogos e psiquiatras forenses, convidados para traçar o perfil comportamental dos criminosos e analisar o impacto psicológico sofrido pelas vítimas.

Embora traga episódios sobre crimes famosos do Brasil e do mundo, o grande foco do podcast está em dar visibilidade a casos chocantes que aconteceram no Amazonas e na Região Norte com crimes de violência doméstica, crimes cibernéticos e perigos enfrentados por crianças na internet.

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