A partir da próxima quinta-feira (04/06), o Centro Cultural Casarão de Ideias (CCCI) abrirá espaço para uma das mais importantes tradições da cultura amazonense. Das 16h às 19h, a calçada do prédio anexo do Casarão de Ideias, na rua Barroso, no Centro de Manaus, receberá o projeto “De tardinha tem tacacá na rua”.
A iniciativa reunirá tacacazeiras que marcaram a história da região central da capital amazonense. Além disso, o projeto busca fortalecer a presença dessas profissionais em um território onde sua atuação fez parte da rotina da cidade por décadas.
Realizada em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a ação tem como objetivo preservar e valorizar o ofício das tacacazeiras, reconhecido pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural como Patrimônio Cultural Brasileiro em novembro de 2025.

Resgate de uma tradição ligada à identidade amazonense
Segundo João Fernandes, diretor do Casarão de Ideias, a proposta pretende ampliar a visibilidade de uma prática cultural diretamente associada à identidade do Amazonas.
“A cultura das tacacazeiras é algo que está enraizado no Amazonas e, apesar disso, essas figuras tão ilustres foram perdendo espaço para grandes empreendimentos. Essa parceria tem por objetivo maior resgatar essa tradição que sempre foi muito forte no Centro de Manaus, mas, principalmente, possibilitar um espaço para que essas profissionais possam trabalhar e preservar essa tradição, e voltarem para esse território criativo, recuperando memória, cultura e afeto, pilares primordiais para nós que somos fomentadores do Centro”, comenta João Fernandes, diretor do Casarão de Ideias.
Espaço para comercialização e transmissão de conhecimentos
O projeto prevê o revezamento semanal das tacacazeiras na calçada do Casarão de Ideias. Dessa forma, as profissionais poderão comercializar o tradicional tacacá e compartilhar conhecimentos relacionados ao ofício.
Além disso, a iniciativa contribuirá para fortalecer o mapeamento das trabalhadoras, apoiar a organização do Coletivo de Salvaguarda e ampliar as ações previstas no Plano de Ações Específicas do Amazonas, desenvolvido em toda a Região Norte.
Patrimônio cultural que segue vivo
Para a superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro, a parceria transforma o reconhecimento oficial em ações concretas de preservação.
“O registro é o ponto de partida, não o destino. Salvaguardar o ofício de tacacazeira significa garantir que esse saber continue vivo, valorizado e acessível. E iniciativas como essa são fundamentais para a sustentabilidade do patrimônio”, afirma ela.
O reconhecimento oficial do ofício de tacacazeira ocorreu em novembro de 2025, quando o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou sua inscrição no Livro de Registro dos Saberes do Iphan.
Mais do que um reconhecimento simbólico, o registro representa o compromisso do Estado brasileiro com a proteção, a valorização e a continuidade desse conhecimento tradicional, transmitido entre gerações e presente na cultura amazônica.