O escritor roraimense Edgar Borges lançou “Sonhanças”, sua nona publicação literária. A obra reúne 53 poemas escritos ao longo dos últimos quatro anos e foi selecionada no concurso literário Primeiras Linhas, promovido pelo Sesc Roraima. O lançamento ocorreu durante a Semana Literária 2026, em Boa Vista.

Livro reúne memórias, paisagens e reflexões
Transitando entre prosa e poesia, Sonhanças percorre memórias, paisagens amazônicas, afetos, silêncios e reflexões existenciais. Com prefácio e organização do professor de jornalismo Timóteo Camargo e capa assinada pelo artista visual Diego Paulino, a obra dialoga com experiências vividas por Edgar Borges entre Roraima, a Venezuela e outras regiões da Amazônia.
“Escrevo sempre evocando as minhas vivências urbanas e rurais nas diversas Amazônias do Brasil e da Venezuela. Como escritor, tenho sempre o desejo de transformar em palavras as visões da nossa região e de sua gente, além de minhas fantasias sobre o mundo”, afirma o autor.
Além disso, os poemas abordam diferentes dimensões da experiência humana, conectando paisagem, memória e imaginação em uma narrativa poética marcada pela relação com o território amazônico.
Um dos diferenciais de Sonhanças está na organização dos textos. Timóteo Camargo estruturou o livro em cinco “ondas” poéticas, conceito inspirado nos ritmos e movimentos dos rios amazônicos.
Segundo o organizador, a disposição dos poemas surgiu da percepção de que os textos avançavam como banzeiros, alternando intensidade, silêncio e movimento.
“Percebi que os poemas pareciam vir em ondas, ou melhor, em banzeiros amazônicos, alternando ritmos e intensidades. Assim, deixei que as poesias seguissem esse curso, para impulsionar a leitura com uma energia própria dos rios”, explica.
Cinco ondas conduzem a leitura
A primeira onda apresenta poemas ligados à Amazônia, ao cotidiano e às paisagens regionais. Em seguida, a segunda conduz o leitor para temas relacionados ao corpo e ao desejo.
Já a terceira assume um tom mais introspectivo. Enquanto isso, a quarta mergulha em questões como silêncio, medo e cansaço. Por fim, a quinta onda aborda desamor, ambivalência e espera, mas preserva a sensação de continuidade que atravessa toda a obra.
Trajetória literária e ancestralidade
Com ancestralidade Wapichana, Edgar Borges nasceu na Venezuela, onde viveu até a adolescência, e mora em Roraima desde os anos 1990. Desde 2009, integra o Coletivo Caimbé, desenvolvendo projetos de literatura e artes integradas.
O autor é graduado em Jornalismo e Sociologia, mestre em Letras e atualmente cursa doutorado em Educação na Amazônia.
Ao longo de sua trajetória, publicou obras como Roraima Blues (2008), Sem Grandes Delongas (2011), Incertezas no Meio do Mundo (2021), Flores do Ano Passado (2022), Há Sol em Nossos Olhos (2024), Invernos e Cafés (2025), Bilhetes de Amores Perdidos (2025) e Manhãs e Ventanias (2026).
Com Sonhanças, Edgar Borges amplia sua produção poética e reafirma a presença das múltiplas Amazônias como elemento central de sua escrita.