Clepsidra relança ‘Tempo Líquido’ e faz show gratuito em Belém

Clepsidra lança o álbum Tempo Líquido nas plataformas digitais e celebra com show gratuito neste sábado em Belém
Redação Amazônia Incrível
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O tempo, as águas e as transformações da Amazônia inspiram o universo criativo da banda paraense Clepsidra. Neste sábado (30), o grupo celebra a chegada do álbum Tempo Líquido às plataformas digitais com um show gratuito, às 17h, no espaço Discosaoleo, em Belém. O lançamento conta com a realização do selo Labidad Produções.

O nome da banda faz referência à clepsidra, instrumento utilizado na Antiguidade para medir o tempo por meio do fluxo da água entre recipientes. A simbologia permanece presente na trajetória do grupo, especialmente em um território marcado pelos rios amazônicos e pela maior bacia hidrográfica do planeta.

Lançado originalmente em 2006, Tempo Líquido é o segundo álbum da Clepsidra. Agora, duas décadas depois, o trabalho passa a integrar as plataformas digitais e poderá alcançar novos ouvintes.

“Esse longo tempo de 20 anos entre 2006 e 2026 tem a ver com o próprio título: um tempo fluido, líquido, que é o próprio tempo dos processos da banda Clepsidra, de como pensamos esse projeto desde 2001, eu e Panzera (Maurício Panzera, integrante do grupo). Nosso intento é que a banda fosse solta e fluida, como o tempo da própria amizade, sem uma cobrança extrema por resultados, sem pressa”, diz o cantor e compositor Renato Torres.

Álbum ganha versão digital após duas décadas

Segundo Renato, os primeiros trabalhos da banda tiveram circulação limitada. Tanto Tempo Líquido quanto o álbum de estreia, Bem Musical (2004), foram lançados apenas em CD e produzidos de forma artesanal.

“A primeira versão tanto de ‘Tempo Líquido’ quanto de nosso primeiro álbum ‘Bem Musical’ (2004) foi em CD, porém feito de forma artesanal pela Na Music, por meio de processos de replicação (a matriz era copiada em drives de computador). Nenhum desses dois álbuns chegou a ser prensado em fábricas, isso só foi acontecer com nosso terceiro álbum, ‘Independente’ (2015), de modo que sempre foram pequenas tiragens. Quem tem o CD físico desses dois álbuns tem um item raro, de colecionador”, diz Renato.

Canções unem poesia, melodia e experimentação sonora

Desde o início, a Clepsidra desenvolve uma pesquisa musical voltada à canção popular. Além disso, o grupo dialoga com influências do folk, jazz, fusion, rock e cultura popular, sem se limitar a um único gênero.

“O som do Clepsidra, desde o primeiro álbum, como ressalta Renato Torres, se propõe a uma pesquisa musical centrada na canção popular, letra e melodia, ou seja, as influências são muitas, e passam por folk, jazz, fusion, rock, cultura popular, mas sempre na direção de um som com identidade própria, que não procura emular nichos específicos, que se transmuta e adapta, fluidicamente. No que diz respeito ao conteúdo lírico, o fato de eu ser previamente um poeta dá o tom das letras: poemas musicados, que em sua maioria preservam a densidade do texto poético autônomo (que prescinde da melodia). Em ‘Tempo Líquido’ estávamos ainda aprofundando a pesquisa, que no primeiro álbum tinha um caráter mais eletrônico e eletroacústico, e que, nesse segundo, ganha um contorno mais orgânico e com várias camadas acústicas”, detalha o compositor.

A relação entre poesia e música segue como um dos pilares da banda.

“poesia e música são irmãs de berço desde os gregos, e na canção popular brasileira, em especial, ganharam contornos de uma grandiosidade reconhecível em todo o mundo”.

“Temos tentado perseguir essa excelência, não sendo, por exemplo, uma prioridade pra nós o sintetismo pop que busca um sucesso imediato de larga escala. Sabemos que nossas canções exigem escuta atenta, percepção de sutilezas, ou seja, um tempo de fruição. Quem tá com muita pressa, de forma geral, acaba passando batido no som que estamos fazendo. De todo modo, aqui e ali surge uma canção nossa que as pessoas acabam adotando como uma espécie de hit mais popular, como ‘A Máquina do Tempo’, a canção que abre o álbum”, acrescenta.

Participações marcaram a gravação de ‘Tempo Líquido’

Durante a produção do álbum, a Clepsidra ainda atuava como um duo formado por Renato Torres e Maurício Panzera. Naquele período, músicos convidados participavam das gravações e apresentações ao vivo.

Foi também nessa fase que o baterista Arthur Kunz, ex-integrante da Strobo, passou a integrar oficialmente a banda, consolidando a formação em trio. Ele permaneceu no grupo até o álbum Independente (2015).

O disco reúne ainda participações de Arthur Alves (violoncelo), Charles Matos (bateria), Antonio Abenatar (saxofone), Giselle Griz (gaita), Waldiney Machado (percussão), Iva Rothe (teclados e voz) e do coletivo Labidad, formado por ex-alunos de Renato Torres no Colégio Moderno.

Entre os participantes estão Márcio Moreira, parceiro na música “Interno”, e Daiane Gasparetto, coautora da faixa-título e intérprete em “Mão e Mar”.

Show em Belém apresenta clássicos e músicas inéditas

Além das canções que marcaram a trajetória da banda, o show deste sábado apresentará o single “Recordar”, lançado em setembro de 2025.

O público também poderá ouvir composições inéditas que farão parte do quarto álbum da Clepsidra, atualmente em produção.

A formação atual reúne Renato Torres nos violões e guitarras, Maurício Panzera no contrabaixo e Ivan Vanzar, ex-integrante da Madame Saatan, na bateria.

Serviço

Lançamento digital do álbum “Tempo Líquido”

Data: 30 de maio de 2026
Horário: 17h
Local: Discosaoleo – Travessa Campos Sales, 628 (porão), Belém
Entrada: Gratuita (Pix sugerido: R$ 20)
Realização: Labidad Produções
Apoio: Guamundo Home Studio

Pré-save: https://labidad.lnk.to/TempoLiquido

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