O poeta Aldísio Filgueiras lança, no primeiro domingo de junho (7), às 8h, na Livraria Valer, em Manaus, o livro “De voz em voz, nossos avós chegam até nós”. A obra reúne poemas inspirados em narrativas indígenas da etnia cotíria, do Alto Rio Negro, e marca mais um momento da trajetória literária do autor.
O lançamento integra o projeto de cafés da manhã culturais promovido pela editora Valer. Integrante da Academia Amazonense de Letras (AAL), Aldísio amplia o diálogo com a cultura indígena ao apresentar três poemas construídos a partir de histórias tradicionais da etnia cotíria.
Livro nasceu de parceria acadêmica
A publicação surgiu de um trabalho de tradução realizado em parceria com duas professoras doutoras das áreas de Linguística e Antropologia, vinculadas à Universidade Federal do Espírito Santo e à Universidade do Estado de Maryland, nos Estados Unidos.
Nascido em 1947, Aldísio Filgueiras consolidou sua carreira ao retratar temas ligados à urbanização de Manaus e à realidade das periferias da capital amazonense. Autor de “Estado de Sítio”, obra censurada durante a ditadura militar, o escritor comentou a mudança de temática do novo livro de forma descontraída.
“Dessa vez eu não estou escrevendo sobre Manaus. Vou dar uma chance para Manaus de respirar”, declarou o autor, acrescentando que o cotidiano da capital amazonense já está bastante “pesado”.
O evento também acontece após um episódio envolvendo Inteligência Artificial (IA). Durante uma pesquisa, uma comunicadora recebeu a informação incorreta de que o poeta havia morrido.
“Sim, eu tinha morrido. Acharam estranho, porque eu sou imortal, e ligaram para mim. Eu disse, não, não, não morri”, brincou o integrante da Academia Amazonense de Letras.
Em seguida, o escritor reforçou o convite ao público: “Meu nome é Aldísio Filgueiras, não sou um robô. E vim fazer para vocês um convite insólito”.
Autor convida público para manhã cultural em Manaus
Aldísio também destacou a proposta do evento, que une literatura e café da manhã no domingo.
“Os domingos de Manaus são os melhores domingos que existem no mundo, principalmente quando eu lanço um livro”, afirmou.
Segundo o autor, o horário permite que o público participe do lançamento e ainda siga a programação tradicional do domingo, incluindo a missa das 10h na Igreja Matriz.
Natural de Manaus, Aldísio Filgueiras atua como poeta, jornalista, compositor e dramaturgo. O autor é reconhecido por abordar questões sociais e urbanas da capital amazonense em sua produção literária.
Durante o regime militar, sua obra tornou-se símbolo de resistência. O livro “Estado de Sítio”, lançado em 1968, teve toda a tiragem destruída pela repressão do AI-5 e só foi publicado oficialmente em 2004.
Além da literatura, Aldísio participou da fundação do Teatro Experimental do Serviço Social do Comércio (TESC) e também é coautor de “Porto de Lenha”, considerada uma das canções mais conhecidas da música amazonense.
Com informações da Academia Amazonense de Letras e Portal Mazé Mourão.