Experiência Naurú: quando o espetáculo vira instalação imersiva; veja vídeo

A proposta amplia a experiência cênica para o espaço expositivo, articulando fotografias, sonoridades, objetos e elementos simbólicos em uma construção sensorial que convida o público à imersão.
Redação Amazônia Incrível
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A Galeria Rita Queiroz, no Sesc Centro Cultural Gladstone Nogueira Frota, em Porto Velho (rondônia), recebe a partir de 5 de maio a instalação artística “Fragmentos de Guerra: A Poética Visual de Naurú”, projeto contemplado pelo Edital Funcultural de Chamamento Público nº 008/2025, realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. A abertura ocorre às 18h, com visitação gratuita desde o dia 6 até dia 24 de maio, das 8h às 18h. A classificação etária é acima de 12 anos.

Idealizada pela artista e coordenadora Rafa Montie, a instalação surge como desdobramento do espetáculo “Naurú *** Poeta das GuErras”, apresentado em entre março e abril de 2025. A proposta amplia a experiência cênica para o espaço expositivo, articulando fotografias, sonoridades, objetos e elementos simbólicos em uma construção sensorial que convida o público à imersão. Segundo a organização, o objetivo é provocar reflexões sobre as violências que atravessam a Amazônia e os corpos que nela habitam, utilizando a arte como instrumento poético e político de denúncia e sensibilidade.

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A exposição reúne 21 fotografias do espetáculo, sendo 20 assinadas por Thales Gomes e uma por Anles Silva. As imagens dialogam com materiais orgânicos, objetos cênicos e estruturas simbólicas que recriam atmosferas da montagem teatral. “Entre os elementos, destacam-se materiais orgânicos, estruturas simbólicas e a presença do carcará, figura central da obra, que atravessa o espaço como signo de resistência e contradição. A instalação também incorpora a paisagem sonora do espetáculo, ampliando a experiência sensorial do público”, destaca Rafa Montie.

 

Rafa complementa que a instalação nasce da necessidade de prolongar os impactos da cena para além do palco, transformando a obra em um ambiente contínuo, imersivo e sensorial.. “É gratificante ver o projeto Naurú ganhando continuidade em outros meios artísticos e espero que ele reverbere por muito, muito tempo”, afirma a coordenadora e artista.

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A proposta prevê circulação livre do público pelo espaço expositivo, sem um percurso rígido. A experiência foi concebida para ser interativa, permitindo que cada visitante construa suas próprias leituras a partir dos elementos presentes. A instalação contará com mediação guiada para pessoas com deficiência visual durante a abertura do evento, no dia 5 de maio.

 

Organizada por Rafa Montie, em parceria com o Coletivo Xapiri Pë de Artes e com a  artista visual Tatiana Monteiro, o projeto conta com o apoio do Sesc Centro Cultural Gladstone Nogueira Frota. “Essas parcerias são fundamentais para viabilizar a circulação da obra, ampliar seu alcance e fortalecer a produção cultural regional. Desta maneira, a iniciativa busca fortalecer a produção artística local ao evidenciar narrativas amazônicas e ampliar o acesso à arte contemporânea em Porto Velho. A proposta também busca estimular reflexões sobre memória, resistência, identidade e violência ambiental e social na região”, reforça Rafa.

 

Sobre a artista

 

Fragmentos de GuErra marca o primeiro projeto autoral de Rafa Montie. A artista, formada em Jogos Digitais e concluindo a Licenciatura em Teatro,  foi convidada, no final de 2024, a integrar o espetáculo “Naurú *** Poeta das GuErras”, do Coletivo Xapiri Pë de Artes, como responsável pela paisagem sonora, elemento que, na obra, atuou como uma personagem, evocando atmosferas e tensionando a cena para além do som ambiente. A partir dessa experiência, que a colocou tanto nos bastidores quanto em cena, surge a instalação como continuidade desse processo artístico. “O trabalho integra não apenas as imagens do espetáculo, mas também sua ambiência sonora e estética”, destaca.

 

O que é uma instalação artística?

Além da proposta estética, a instalação também se insere em um campo mais amplo das artes visuais contemporâneas. Para o professor da Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia, Lau Santos, trata-se de uma linguagem que busca intensificar a relação entre obra, artista e público. “A instalação surge nas artes visuais como uma forma para potencializar uma aproximação interativa entre obra, artista e espectador. Na contemporaneidade, o objetivo continua sendo o mesmo, com o agravante das novas tecnologias estarem atuando para o distanciamento das pessoas destas práticas interativas que estão fora do campo virtual”, explica.

Segundo ele, a criação de ambientes e estruturas sensoriais presenciais representa um convite ao reencontro com dimensões essenciais da experiência humana. “Criar ambientes para as pessoas desfrutarem de sensações e percepções corporificadas é, hoje, uma busca pelo mais essencial do ser humano. É estimular que as pessoas percebam suas fragilidades através do amor ‘suprassensorial’, como propõe Hélio Oiticica, e lembrar que não somos avatares que habitam apenas um mundo virtual, mas sujeitos cuja experiência sensível é fundamental para enfrentar a banalização dos comportamentos na atualidade”, conclui.

Ficha técnica (equipe organizadora)

Rafa Montie – Proponente e Coordenadora Geral

Lau Santos – Assistente de Coordenação e Execução do Texto Curatorial

Luís Gustavo Aldunate – Designer Gráfico

Thales Gomes – Curador de Fotografia

Amanda Elage – Produtora Cultural

Dennis Weber – Assessoria de Comunicação

Edmar Leite – Assistente Técnico

Almício Fernandes – Mediador/personagem Naurú

Tatiana Monteiro – Assistente de Produção e Artista Visual (escultura e objetos cênicos)

 

Serviço

 

O quê: Instalação Fragmentos de GuErra: A Poética Visual de Naurú

Abertura: 5 de maio, às 18h

Visitação: de 6 a 24 de maio, das 8h às 18h

Onde: Galeria Rita Queiroz, no Sesc Centro Cultural Gladstone Nogueira Frota, Av. Campos Sales, 2666 – Centro, Porto Velho (RO)

Entrada: gratuita

Classificação etária: +  de 12 anos

 

 

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