MANOA: o império perdido da Amazônia

Toda sexta vamos publicar uma lenda ou mito das Amazônias. 
Redação Amazônia Incrível
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*Colaboração de Evaldo Vasconcelos – colunista do Amazônia Incrível

Um império mitológico de grandes proporções teria existido nas profundezas da Amazônia brasileira. Muito antes da chegada dos europeus ao continente, tradições antigas já situavam reinos lendários na região, alimentando o imaginário de exploradores por séculos.

Nos primórdios do século XVI, consolidou-se a crença em uma cidade perdida descrita como o “depósito de todas as riquezas da Terra”. Segundo os relatos da época, ela estaria localizada em algum ponto da selva, não muito distante do Mar Oceano (o Oceano Atlântico). Curiosamente, apesar das incertezas sobre sua localização exata, a cidade já possuía nomes: era chamada de Manoa ou Quivira.

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A trajetória de Manoa está intrinsecamente ligada à conquista do continente sul-americano. Segundo a lenda, às margens do místico Lago Parime, erguia-se uma metrópole monumental: Manoa, a “Cidade da Porta de Ouro”. O reino seria composto por aldeias autônomas e pequenas cidades, todas submetidas à autoridade de um soberano supremo conhecido como “O Grande Paititi” (embora, em outras versões, Paititi fosse o próprio nome da cidade).

A tradição sustenta que o Lago Parime escondia um tesouro incalculável de objetos de ouro, prata e pedras preciosas, frutos de oferendas milenares ou trazidos pelo aluvião dos rios.

Sob uma perspectiva histórica atual, especula-se que o mito tenha surgido como uma transferência de expectativas: frustrados por não encontrarem o Eldorado nos Andes, os colonizadores projetaram seus sonhos de riqueza na imensidão desconhecida da Amazônia.

Embora a origem exata do nome Manoa seja incerta, registros de viajantes dos séculos XVII e XVIII associam o termo ao povo Manaus. Naquele período, a grafia dos nomes indígenas variava conforme a interpretação dos europeus, resultando em formas como Manaha, Manawe, Manoua e, finalmente, Manoa. Em alguns relatos, Manoa é citada especificamente como o nome de uma das mais importantes aldeias dos Manaus. Assim, entre as brumas da história e da lenda, a palavra sobreviveu, nomeando hoje um dos bairros mais conhecidos da atual cidade de Manaus.

Evaldo Vasconcelos

Evaldo Vasconcelos

 

*Evaldo Vasconcelos é um escritor e roteirista amazonense com trajetória iniciada em 2015, com a obra História de Manaus em Quadrinhos, editada pelo escritor Márcio Souza.
Atualmente, atua como roteirista da série de HQs Maramunhã e desempenha as funções de editor e professor de narrativa gráfica no Projeto Quadrinhos Sateré. Neste último, coordena a produção da primeira coletânea de histórias em quadrinhos realizada por crianças indígenas no Brasil.

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