*Colaboração Especial – Estélio Munduruku – Borba/AM
O dia 19 de abril é uma data de conquista, reconhecimento, resignificação, luta e resistência. Antes era historicamente conhecido como “Dia do Índio”, mas com a educação indígena que temos, conseguimos refazer o termo e isso tem sido resignificado por nós, povos originários, como um marco de luta, bravura e afirmação de direitos. Mais do que uma data comemorativa, é um momento de denúncia contra as violências históricas e contemporâneas. Essas lutas se dão por reivindicação do direito ao território, dignidade e continuação de nossos conhecimentos tradicionais, e de fortalecimento das identidades indígenas em todo o Brasil. É um dia que ecoa a memória dos ancestrais e reafirma que os povos originários seguem vivos, organizados e em constante resistência.
Nesse contexto de reafirmação, o Festival Cultural Munduruku – FECUM, que acontece na aldeia Kwatá-Rio Canumã/Terra Indígena Kwatá-Laranjal no município de Borba, surge como um poderoso espaço de imersão cultural e fortalecimento do povo Munduruku. O FECUM vai além de um evento festivo: é um território de encontro, de partilha de saberes e de vivência das tradições. Nele, a cultura se manifesta por meio das danças, cantos, grafismos, rituais, culinária e falas originárias que carregam a essência e a ancestralidade da episteme do povo Munduruku.
O festival se consolida como um instrumento de reafirmação identitária, onde as novas gerações se conectam com suas raízes e os mais velhos compartilham seus conhecimentos, garantindo a continuidade cultural Munduruku. Ao mesmo tempo, promove a valorização da cultura indígena diante da sociedade não indígena, rompendo estereótipos e fortalecendo o protagonismo Munduruku na construção de sabedoria ativa em resistência.
Assim, o 19 de abril e o FECUM caminham juntos como cosmologia viva entre o passado e presente, é mais que existência. Enquanto a data convoca à reflexão e à luta, o festival celebra a vida, a cultura e o orgulho de ser Munduruku, reafirmando que identidade, território e cultura são inseparáveis e fundamentais para a continuidade dos povos originários. Viva os povos originários, viva a luta e resistência. Sawê.

*Pertence à Terra Indígena Kwatá-Laranjal, município de Borba;
Membro do Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas – MEIAM;
Membro da Juventude Munduruku do Amazonas – JUMAM;
Doutorando em Geografia pela UFAM;
Articulador da União dos Povos Indígenas Munduruku e Saterê-UPIMS; e
Ativista indígena.