Do artesanato à medicina tradicional: conheça a rede de mulheres indígenas que movimenta a economia da Amazônia

Ao identificar atividades como o artesanato, a agricultura de subsistência, o extrativismo e o uso da medicina tradicional, o projeto conecta saberes ancestrais a ferramentas de apoio técnico e financeiro.
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O mês de abril, dedicado à conscientização e luta dos povos originários, revisita um debate essencial: a conservação da Amazônia passa, obrigatoriamente, pelo fortalecimento das mulheres indígenas. Nesse cenário, o projeto “Parentas que Fazem” surge como uma das principais estratégias para dar visibilidade e suporte técnico à produção feminina nas aldeias.

Idealizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com a Coiab e a Rede Makira-E’ta, e com o apoio estratégico do Google.org, a iniciativa realizou um mapeamento histórico de 118 organizações lideradas por mulheres indígenas em toda a Amazônia brasileira.

O objetivo central do “Parentas que Fazem” é impulsionar a autonomia financeira e a sustentabilidade dessas comunidades. Ao identificar atividades como o artesanato, a agricultura de subsistência, o extrativismo e o uso da medicina tradicional, o projeto conecta saberes ancestrais a ferramentas de apoio técnico e financeiro.

Para os especialistas, apoiar o empreendedorismo das “parentas” é também uma medida climática. Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), territórios geridos por povos indígenas apresentam taxas de desmatamento até três vezes menores, comprovando que investir na gestão indígena é proteger o equilíbrio do planeta.

São 5 organizações indígenas formais e informais lideradas por mulheres que fazem parte do projeto.

Associação das Mulheres Indígenas Sateré Mawe (AMISM)
Associação dos Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI)
Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (AMIARN)
Numiã Kura (AMARN)
Associação de Mulheres Indígenas do Médio Solimões e Afluentes (AMINSA)

Protagonismo que vai além da visibilidade

A iniciativa faz parte de um ecossistema maior de protagonismo indígena apoiado pela FAS, que inclui desde a formação de lideranças até o destaque no esporte, como na Arquearia e Canoagem Indígena. No entanto, é na rede de mulheres que a base comunitária se fortalece.

“Quando fortalecemos o protagonismo indígena na geração de renda, estamos também fortalecendo a Amazônia. Não há solução para a crise climática sem nós”, afirma Rosa dos Anjos, do povo Mura e supervisora do Programa de Protagonismo Indígena da FAS.

Presença Estratégica e Futuro

Além do apoio à produção, o projeto e a FAS têm garantido que essas vozes cheguem a espaços de decisão global. Em 2025, através do projeto Banzeiro da Esperança, 63 lideranças, muitas delas mulheres empreendedoras, foram levadas à COP30, garantindo que a economia da floresta fosse pauta central nos debates sobre o clima.

Para Rosa dos Anjos, o reconhecimento deve ser contínuo. “Não basta visibilidade em datas específicas, é preciso garantir nossos direitos, territórios e nossa participação nas decisões que impactam o futuro”, conclui.

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

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