Para muita gente, o café da manhã tem recheio, massa e passa pelo óleo quente. Coxinha, pastel, quibe e enroladinho fazem parte da rotina de quem prefere começar o dia com algo salgado e prático.
O senhor Erineu de Oliveira admite que consome fritura, mas garante que tenta manter o equilíbrio. “De vez em quando, não sempre. Assim, uma vez, duas vezes por semana. Coxinha, pastel, quibe e enroladinho. Eles são saborosos e práticos”, conta.
Mas será que essa escolha é a mais indicada para quebrar o jejum da noite? Segundo a nutricionista Renata Alencar, a resposta é não. “O café da manhã é a nossa primeira refeição do dia, ou seja, é onde a gente quebra o jejum da noite anterior. Alimentos fritos, no geral, não são recomendados para quebrar esse jejum”, explica a profissional de saúde entrevistada.
Ela alerta que o problema maior está na frequência. “Com o excesso de gordura que você vai ingerir, essa gordura vai ser metabolizada no intestino e absorvida pelo organismo. Quando consumidas em excesso, essas gorduras saturadas, derivadas de fritura, margarina e produtos industrializados, vão se acumular nos vasos sanguíneos”, afirma.
As consequências podem ser graves. “Pode levar a doenças do coração, ao AVC, que é o derrame, e hoje está muito em voga a obesidade, com aquela gordura visceral que se acumula no fígado e nos demais órgãos do abdômen”, ressalta o Gastroenteroligista José Ricarte
Dados da pesquisa Vigitel 2025, divulgados pelo Ministério da Saúde, mostram que a quantidade de adultos com obesidade no Brasil aumentou 118% entre 2006 e 2024. Outras doenças crônicas também apresentaram crescimento no mesmo período.
O avanço costuma ser silencioso. “Os sintomas são bem silenciosos. O primeiro que a gente vai notar é a obesidade, o aumento do volume abdominal. Depois vêm as alterações na glicose e na pressão alta. No decorrer do tempo, pode evoluir para a síndrome metabólica, que é a somatória de colesterol alterado, gordura no fígado e hipertensão. Isso gera muito impacto na saúde”, explica.
A orientação é clara: reduzir a frequência e fazer substituições mais equilibradas. “O mais comum do brasileiro seria o pão com ovo, iogurte com cereais, cuscuz, pão de milho com carne moída, mas de forma mais simples. Frutas, principalmente, sempre acompanhadas de fibras para regular o intestino e já começar o dia com disposição”, recomenda.
Pequenas mudanças na primeira refeição do dia podem representar uma grande diferença na saúde ao longo dos anos.