O Bumbódromo se vestiu com o azul mais profundo da noite para celebrar a vitória da Francesa e do Palácio Azulado. Após três noites de espetáculos monumentais e de altíssimo nível técnico, o Boi Caprichoso consagrou-se o grande campeão do 59º Festival Folclórico de Parintins. O resultado foi confirmado no fim da tarde desta segunda-feira (29/06), após uma apuração acirrada bloco a bloco.
Na contagem geral dos 21 itens avaliados pela comissão de jurados, o Caprichoso somou 1259 pontos, superando o Boi Garantido e garantindo o título da maior festa folclórica do país em 2026. A proposta do Touro Negro levou para a arena uma reflexão profunda sobre o boi como um símbolo cultural vivo, construído pelo suor de seu povo e profundamente conectado com seu território.
O Espetáculo do Título: Brinquedo que Canta Seu Chão
Durante o fim de semana de disputas, o Caprichoso transformou a arena em um manifesto de autoafirmação através do tema macro “Brinquedo que Canta Seu Chão”. As três noites guiaram o público por uma narrativa de pertencimento e defesa da floresta:
1ª Noite (Sexta) – O Chão de Origem: O bumbá abriu o festival mostrando as raízes profundas de sua fundação, celebrando o sentimento que une gerações de brincantes nas ruas e currais de Parintins, sustentado pelo compasso preciso da Marujada de Guerra.
2ª Noite (Sábado) – O Chão da Vida / O Brinquedo da Resistência: O espetáculo ampliou seu horizonte para além da ilha, abraçando toda a Amazônia como território de memória e luta. Na arena, o boi defendeu os povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, usando a arte como instrumento contra as ameaças à floresta.
3ª Noite (Domingo) – O Chão da Resistência: O encerramento coroou o projeto reafirmando a força cultural do Norte, finalizando com o impactante ritual Maracá (do povo Assurini do Tocantins), que contou com a presença de lideranças indígenas convidadas e levou a galera azul e branca ao delírio.
Vitória do Coletivo e Festa no Zeca Xibelão
O título premia o planejamento milimétrico comandado pelo presidente Rossy Amoedo e pelo Conselho de Artes do bumbá, que apostaram em alegorias gigantescas de acabamento irretocável, rica evolução coreográfica dos itens individuais e uma forte mensagem sociocultural.
A apuração de 2026, realizada sob um novo esquema de horário para se adequar ao calendário da Copa do Mundo, encerrou-se sob gritos de comemoração da nação azulada. A festa oficial já tomou conta das ruas de Parintins e promete se estender até o amanhecer no Curral Zeca Xibelão, onde o “Brinquedo do Povo” celebra o merecido triunfo de quem cantou o seu próprio chão.