Mães multiverso: a força das mães geeks e nerds que dominam a Amazônia

Conheça as histórias de mulheres que estão criando a nova geração de "geeks" na capital amazonense.
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Neste Dia das Mães, o cenário cultural de Manaus revela uma faceta vibrante e cheia de personalidade: as Mães Multiverso. Elas não são apenas cuidadoras; são líderes de fã-clubes, leitoras vorazes de clássicos, apresentadoras de cultura pop e cosplayers que transformam a maternidade em uma jornada épica, provando que o amor pelos filhos e a paixão pelo universo nerd não só coexistem, como criam laços indestrutíveis.

Conheça as histórias de mulheres que estão criando a nova geração de “geeks” na capital amazonense.

A Guardiã da Toca: Andreia Raposo


Aos 43 anos, Andreia Raposo é uma figura central na comunidade geek local como líder da Toca AM. Sua jornada começou no ano 2000, quando mergulhou nas páginas de O Senhor dos Anéis e descobriu o RPG.

Quando engravidou de João Ricardo, hoje com 19 anos, Andreia não deixou os dados de lado. Pelo contrário, o incentivo à leitura de obras como O Hobbit foi a porta de entrada para que o filho seguisse seus passos.

Hoje, João não apenas joga RPG e consome obras literárias, como é presença confirmada nos eventos ao lado da mãe, mantendo viva a chama de Tolkien e Star Wars em família.

Literatura e estética vintage: Erislane e Maria Elena

Para a professora e pedagoga Erislane dos Santos Lima, 31, a maternidade sempre foi rodeada de livros. Sua filha, Maria Elena, 10, a acompanhava desde bebê nas aulas da UFAM. O estímulo precoce deu frutos: aos 2 anos, a menina já exibia um vocabulário impressionante.

A conexão entre as duas se consolidou através dos clássicos. “Aos 8 anos apresentei O Jardim Secreto. Lemos juntas, ela se encantou e o tema do seu último aniversário foi o livro”, conta Erislane.

Hoje, Maria Elena já escreve suas próprias poesias e contos em blocos de notas, sonhando em ser escritora e publicar mundos fantásticos inspirados na estética vintage que divide com a mãe.

Cosplay e conexão: Kamy Marçal e Nero

Kamy Marçal respira o universo geek desde 2008. Hoje apresentadora e criadora de conteúdo, ela viu seu hobby se tornar profissão e, posteriormente, um elo com o filho Nero, de 11 anos.

Nero cresceu entre ensaios e concursos de cosplay. “Ainda bebê, ele já me acompanhava. Hoje, entrando na adolescência, ele já escolhe seus próprios personagens”, explica Kamy.

 

Para ela, o universo geek é uma ferramenta contra a pressão do cotidiano: “É sobre criar memórias e fortalecer laços de uma forma única, sem a pressão do capitalismo e em família”.

O Som e a Letra: Sha Antunes e Alessandra Siqueira

A música é o fio condutor para Sha Antunes. Desde a barriga, ela preparou o ouvido da filha Bianca, hoje com 7 anos. O resultado? Uma pequena fã de Rita Lee, Raul Seixas e Michael Jackson que compartilha a mesma playlist de streaming com a mãe.

“Ela está sempre atenta à minha musicalidade, e hoje compartilhamos a mesma playlist no streaming.”, disse Sha.

“O universo do rock, literário ou geek aproxima, diverte e fortalece os laços.”, ressaltou Sha Antunes.

Já para Alessandra Siqueira, 50 anos, o elo com a filha Raquel é literário. O hábito de presentear com livros em datas especiais culminou em uma paixão compartilhada por Jane Austen.

Em 2025, as duas celebraram juntas os 250 anos da autora, reafirmando que a leitura é o legado mais precioso passado de mãe para filha.

Essas mães manauaras provam que, seja em um tabuleiro de RPG, em uma página de Jane Austen ou no palco de um desfile cosplay, o protagonismo feminino na cultura pop é, acima de tudo, um ato de amor e transmissão de conhecimento.

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