Enquanto em muitas cidades o Carnaval toma conta das ruas, em Cametá, no nordeste do Pará, a festa começa sobre as águas. O tradicional Carnaval das Águas transforma o rio Tocantins em grande passarela fluvial, reunindo cultura ribeirinha, cordões de mascarados e embarcações decoradas em um dos espetáculos mais autênticos da Amazônia.
Antes mesmo dos cortejos terrestres, o show acontece no rio. Pequenas e grandes embarcações seguem em desfile, levando música, fantasias e a identidade das comunidades ribeirinhas e quilombolas da região. Para o folião Joaquim Marques, o diferencial está na essência cultural. “A cultura começa no carnaval nas águas, onde mostramos a verdadeira cultura do povo ribeirinho e das nossas vilas quilombolas”, afirma.
O presidente da Fundação Cultural de Cametá, Elcio Nunes, destaca que o cortejo é centenário e carrega forte tradição artesanal. Segundo ele, os cordões de mascarados produzem as próprias máscaras, vestimentas e adereços, reforçando o caráter cultural da festa. “É uma atração cultural do município pela parte artesanal e pela força da cultura ribeirinha”, explica.

À frente do desfile fluvial está a maior embarcação de madeira da Amazônia, comandada por Amadeu Ribeiro, de 72 anos. Considerado o “trio elétrico” amazônico, o barco conduz foliões ao som de ritmos regionais, como o carimbó, espalhando emoção pelo Tocantins. “É muita gratidão. Você sente a emoção que dá”, resume o comandante.
A experiência atrai visitantes de diferentes regiões do país. O casal Vivaldo e Leila Bartolomeu, de São Paulo, viveu pela primeira vez a folia paraense. “Falaram que o carnaval de Cametá é a coisa mais incrível que tem”, contou Vivaldo. “É muito emocionante estar nesse rio ouvindo carimbó”, completou Leila.
Em meio ao verde intenso da floresta amazônica, o colorido das fantasias navega pelas águas e reforça a diversidade do Carnaval brasileiro — do Sul ao Norte, sem limites e sem diferenças. Em Cametá, o Carnaval raiz nasce no rio e segue pelas entranhas da cidade, nos blocos culturais, cordões e fofós, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.