Se você gosta de cinema, histórias que fogem do óbvio e produções com a cara da Amazônia, já pode separar um espaço na agenda. Manaus vai virar ponto de encontro do audiovisual brasileiro entre os dias 23 e 27 de setembro, com a 8ª edição do Festival Olhar do Norte.
E não é só uma sequência de filmes passando na tela.
A programação reúne produções amazônicas, filmes premiados, cineastas, oficinas gratuitas, debates e novas obras que chegam ao público pela primeira vez. Tudo isso passando por espaços como o Teatro Amazonas e o Teatro Gebes Medeiros.
Um filme premiado para começar
A abertura já chega com peso.
Na noite de quarta-feira (23), às 20h30, o Teatro Amazonas recebe o curta amazonense “Tarde Dentro da Tarde”, de Rafael Ramos, antes da exibição de “Feito Pipa”, do cineasta cearense Allan Deberton.

O longa acompanha Gugu, um garoto de 12 anos criado pela avó Dilma, que vê sua vida mudar diante da possibilidade de ir morar com o pai.
Mas o que chama atenção é o caminho que o filme já percorreu.
“Feito Pipa” acumula cinco prêmios internacionais, incluindo dois no Festival de Berlim, além de quatro Kikitos no Festival de Cinema de Gramado.
Entre eles estão Melhor Direção, Melhor Atriz para Teca Pereira, Melhor Ator Coadjuvante para Lázaro Ramos e Melhor Filme pelo Júri Popular.

E tem mais: o longa está entre os 15 filmes habilitados para disputar a indicação brasileira ao Oscar 2027.
Ou seja: a primeira noite não chega para brincar.
A Amazônia ganha uma nova disputa
Se tem uma novidade que promete chamar atenção nesta edição, é a estreia da mostra competitiva Amazônia de Longas-Metragens.
Pela primeira vez, filmes de longa duração produzidos ou dirigidos por cineastas da Amazônia Legal entram em uma disputa própria dentro do festival.
E o mapa é grande.
A seleção reúne produções de Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Entre os títulos estão “Xingu, Nosso Rio Sagrado”, “Empresário do 3º Mundo”, “3×4”, “Terruá Pará”, “Memória de Elefante”, “Kika Não Foi Convidada” e “Jamary”.
É cinema produzido a partir de diferentes partes da Amazônia e colocado na mesma tela para o público conhecer, discutir e julgar.
Tem Afuá, boi e histórias do Norte
Para quem gosta de encontrar a própria região representada na tela, a programação reserva alguns encontros interessantes.
Entre os curtas selecionados estão “BICI, A História de Uma Bicicleta No Afuá” e “Te Vejo Na Próxima Saída do Boi”.
Também aparecem títulos como “Tukàn – A Semente Plantada”, “O Olhar de Antônio”, “Maira Porongyta – O Aviso do Céu” e “A Terra das Estrelas Distantes”.
São histórias que partem de diferentes lugares, personagens e experiências para mostrar que o audiovisual amazônico está longe de caber em uma única narrativa.
E não é só para sentar e assistir
Quem quiser colocar a mão na massa também terá oportunidade.
A programação de oficinas gratuitas começa no dia 21 de setembro, antes mesmo da abertura oficial do festival.
Tem atividade sobre self-tape, direção cinematográfica, montagem e maquiagem artística.
As aulas serão conduzidas por profissionais como Diego Bauer, Rafael Ramos, Eduardo Resing e Eugênio Lima.
Cinema também vira conversa
Depois de assistir, o público ainda terá espaço para discutir.
Entre os dias 24 e 27, o festival realiza quatro debates, sempre das 10h às 12h, no Teatro Gebes Medeiros.
A ideia é colocar as obras em discussão e aproximar público, realizadores e profissionais do audiovisual.
Porque aqui não é só “assistiu, acabou”.
A história continua depois dos créditos.
Manaus recebe cinco dias de programação
As sessões começam na quarta-feira (23), às 14h, no Teatro Gebes Medeiros, e às 16h, no Teatro Amazonas.
Durante os cinco dias, o público poderá circular por diferentes mostras, incluindo Amazônia Curtas, Amazônia Longas, Outros Nortes, Olhar Panorâmico e Olhinho, esta última voltada ao público infantojuvenil.
No domingo (27), a programação chega ao fim com “Concerto de Quintal”, às 16h, e “Os Avós”, produção amazonense dirigida por Ana Lígia Pimentel, às 18h.
Às 20h, entram em cena os vencedores da edição, durante a cerimônia de premiação.
E quem não estiver em Manaus também poderá assistir
A experiência não termina quando as luzes do Teatro Amazonas se apagam.
Depois das sessões presenciais, filmes das mostras de curtas amazônicos e panorâmicos serão disponibilizados pela plataforma Itaú Cultural Play.
Assim, histórias produzidas na Amazônia poderão atravessar as fronteiras de Manaus e chegar a outros públicos.
A 8ª edição do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte é realizada pela Artrupe Produções, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio do Itaú e parceria do Cine Set e da Itaú Cultural Play.