Em Belém, o casal de artesãos Izana Pereira e Nilton Souza transforma papel descartado em peças sustentáveis
Um casal de artesãos de Belém, Izana Pereira e Nilton Souza, encontrou uma forma criativa e sustentável de dar um novo destino ao papel descartado. O trabalho vai além da reciclagem tradicional: mistura papel reaproveitado com sementes de plantas, gerando peças que, depois de usadas, podem ser plantadas e se transformar em flores, hortaliças e até árvores. Sendo assim, uma ideia inovadora que une arte, consciência ambiental e futuro mais verde.

Izana e o marido, Nilton, atuam na cooperativa de reciclagem “Cooperbem”, em Belém. Há cerca de um ano, tiveram a ideia de misturar sementes às folhas de papel. Como conta Izana, a inspiração veio do dia a dia no local. “Como a gente começou a participar de uma cooperativa e lá chegava muito material que dava pra gente reaproveitar, aí daí surgiu a ideia. Aí começamos a trabalhar com papel com fibra e depois fizemos um teste com as sementes e deu certo e agora começamos a trabalhar”. Afirma

Para o casal, ver o lixo virar vida é motivo de orgulho. “A gente se sente feliz, né? Tirando todo esse lixo da natureza e renovando pras pessoas. A gente se sente muito feliz”. Conforme ressaltou Nilton.
O processo, porém, exige paciência e dedicação, lembra Izana. “O processo de preparação é lento e envolve várias etapas até o produto final. A gente tem que colocar o papel de molho, depois quando ele estiver bem úmido, batido no liquidificador, joga as sementes em cima e aí espera ele secar por dois dias. Quando ele estiver todo sequinho, aí já dá pro uso”.

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Os produtos artesanais utilizam, além do papel reciclado, sementes de cidreira, erva-doce ou orégano, além de fibra de cana, casca de alho tingida, fibra da bananeira e da vassoura do açaí. Portanto, todo esse material, que antes iria para o lixo, ganha nova vida. Como por exemplo, em capas de agenda, caixas de presente e peças de artesanato religiosos. Presentes que sobretudo reforçam a importância de cuidar do planeta.
Por fim, Izana resume o impacto do trabalho sustentável: “Saber que uma folha de papel vai semear novas espécies, dá a sensação de que a gente está devolvendo pra natureza aquilo que foi retirado dela pra satisfazer uma necessidade humana e que, ainda bem, vem mudando com o passar do tempo”.