Manaus será palco de uma exposição que promete dar visibilidade à arte produzida nas periferias da capital amazonense. No próximo dia 10 de novembro, às 19h30, o Centro Cultural Casarão de Ideias, no Centro da cidade, recebe a abertura da exposição da Residência Artística Periférica (RAP), com obras inéditas de três artistas contemporâneos. A entrada é gratuita.
A mostra reúne produções de Ana Paula Abreu, Dayo do Nascimento e Benner Siqueira, que transformaram experiências pessoais e questões sociais em trabalhos artísticos. As obras abordam temas como pertencimento, memória, identidade de gênero, ancestralidade e inclusão.
A iniciativa faz parte do projeto Formações Artísticas Periféricas, realizado pelo Instituto Arte na Escola, e busca ampliar as oportunidades de formação, experimentação e circulação cultural para artistas de territórios periféricos.
Segundo Claudio Anjos, presidente do Instituto Arte na Escola, a edição recebeu mais de 50 candidaturas de artistas e coletivos interessados em participar da residência.
“A Residência Artística Periférica reafirma nosso compromisso com a valorização da produção cultural das periferias, reconhecendo esses territórios como espaços de criação, conhecimento e expressão artística”, destacou.
Três artistas, diferentes formas de expressão
A artista visual e performer Ana Paula Abreu, nascida e criada em Manaus, apresenta uma pesquisa que investiga as relações entre corpo, território e cotidiano. Por meio das artes visuais e da performance, ela propõe reflexões sobre as diferentes formas de existir e pertencer à cidade.
Graduada em Artes Visuais, especialista em Ensino das Artes e mestranda em Ciências Humanas, Ana Paula destaca a importância da formação artística para ampliar a percepção crítica sobre a sociedade.
Já o artista multimídia, fotógrafo e gestor cultural Dayo do Nascimento apresenta o projeto Transição é Norte, que investiga a construção da transmasculinidade a partir do corpo como território de memória e identidade.
Nascido e criado na periferia de Manaus, Dayo utiliza fotografia, vídeo, lambe-lambe e performance para abordar questões relacionadas à raça, gênero e pertencimento.
“Participar da Residência Artística Periférica (RAP) é uma oportunidade ímpar e um divisor de águas na minha trajetória”, afirmou o artista, destacando a importância de desenvolver sua pesquisa com apoio financeiro e acompanhamento curatorial sem precisar deixar Manaus.
A terceira produção é FLUTUA, performance do bailarino e artista da dança Benner Siqueira, que utiliza a figura do peixe-boi como metáfora para abordar o autismo e os desafios relacionados à inclusão.
Natural de Itamarati, no interior do Amazonas, e criado em Manaus, Benner combina elementos das danças urbanas e contemporâneas com o teatro de formas animadas.
A criação foi inspirada em experiências familiares, especialmente na convivência com o sobrinho, que passa por investigação para o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Esta é a primeira residência artística de Benner, que considera a experiência um marco em sua trajetória profissional.
Valorização da arte periférica
Além da apresentação das obras, o programa busca fortalecer a trajetória de artistas independentes, oferecendo acompanhamento especializado, oportunidades de formação e condições para o desenvolvimento de novas pesquisas.
Em Manaus, a residência conta com o apoio do Centro Cultural Casarão de Ideias, que participa do acompanhamento dos processos criativos.
A exposição também pretende aproximar o público da produção artística contemporânea amazonense, destacando a diversidade cultural e o potencial criativo das periferias.
Serviço
Evento: Abertura da exposição Residência Artística Periférica (RAP)
Data: Terça-feira, 10 de novembro de 2026
Horário: 19h30
Local: Centro Cultural Casarão de Ideias
Endereço: Rua Saldanha Marinho, 717, Centro, Manaus (AM)
Entrada: Gratuita e aberta ao público
Realização: Instituto Arte na Escola
Foto: @alailsooon