Mulheres transformam plástico em oportunidade no Marajó

O projeto recolhe diferentes tipos de embalagens plásticas, que passam por um processo de limpeza e corte manual. O material é transformado em fibras e utilizado como enchimento para almofadas e travesseiros.
Redação Amazônia Incrível
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*Colaboração Vitória Raquel, Belém/Pará

No município de Soure, no arquipélago do Marajó (PA), um projeto pioneiro vem ganhando destaque ao unir sustentabilidade e inclusão social. O “Recicla Soure” transforma resíduos plásticos em almofadas e travesseiros, além de promover geração de renda e conscientização ambiental.

A iniciativa foi idealizada pela pedagoga Maria de Nazaré dos Santos Maciel, de 51 anos. A ideia surgiu após ela observar o grande volume de lixo plástico descartado nas ruas da cidade. A partir disso, realizou um levantamento para entender quais resíduos eram mais comuns e como eram descartados pela população.

Segundo Nazaré, materiais utilizados no dia a dia doméstico, como embalagens de arroz, feijão, café, açúcar e macarrão, acabam sendo jogados de forma inadequada, contribuindo para a poluição urbana.

Divulgação

Como surgiu a ideia

Com base nesse cenário, a idealizadora passou a buscar alternativas para reaproveitar os resíduos. Após testes, chegou ao desenvolvimento de almofadas produzidas com plástico reciclado, transformado manualmente em fibras.

O projeto recolhe diferentes tipos de embalagens plásticas, que passam por um processo de limpeza e corte manual. O material é transformado em fibras e utilizado como enchimento para almofadas e travesseiros.

Além disso, o Recicla Soure conta com a participação de colaboradoras que produzem bordados, incluindo técnicas de inspiração indígena, agregando valor cultural às peças.

Entre os benefícios do produto está a durabilidade e a possibilidade de lavagem completa, incentivando a reutilização.

Impacto social

O projeto é voltado principalmente para donas de casa, muitas delas idosas, algumas com até 80 anos. A iniciativa promove inclusão, socialização, melhora da saúde mental e desenvolvimento da coordenação motora. Também acolhe mulheres fora do mercado de trabalho, incentivando o empreendedorismo feminino.

“Muitas pessoas ainda não têm consciência ambiental, e queremos envolvê-las diretamente no projeto”, destaca Nazaré.

A iniciativa também chegou às escolas da região. Cada sala de aula passou a contar com lixeiras para coleta seletiva. Parte dos resíduos é utilizada em atividades escolares e o restante é destinado ao projeto.

Desafios

Apesar dos resultados positivos, o Recicla Soure enfrenta dificuldades. A produção é totalmente manual, o que causa desgaste físico nas voluntárias, como calos nas mãos. Além disso, há limitações na aquisição de materiais de limpeza e insumos para confecção.

Futuro

Criado em janeiro de 2026, o projeto ainda está em fase inicial, mas já inspira expansão. Nazaré sonha em levar a iniciativa para outras cidades.

“Imagine polos como esse em grandes cidades. Quantos resíduos deixariam de ir para as ruas e quantas mulheres poderiam gerar renda?”, projeta.

Para a idealizadora, o projeto vai além da reciclagem.

“Se queremos deixar bens materiais para o futuro, por que não deixar também um planeta saudável?”, conclui.

Conheça mais do projeto aqui:
https://www.instagram.com/projeto_recicla_soure_ofc/

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