O aumento no preço do açaí durante o período de entressafra tem impactado diretamente quem vende e quem consome a fruta no Pará. Considerado parte essencial da alimentação diária de muitas famílias, o produto ficou mais caro e já provoca preocupação entre comerciantes e clientes.
Para muitos consumidores, o açaí é um alimento indispensável no dia a dia. “Toda comida que a gente almoça e janta é com açaí”, relata a aposentada Nelma Costa, destacando o quanto o fruto está presente na rotina alimentar da região.
No entanto, a entressafra reduziu a oferta do produto e elevou os preços. Um vendedor explica que a tendência é de que o valor continue alto por alguns meses. “Como está no período da entressafra, o açaí está mais caro. Daqui eu ainda tenho uns três, quatro meses para o mesmo preço sair caro. Tem dias que nem vai ter”, afirma o vendedor Léo Pimenta.
Quem trabalha diretamente com a venda do fruto já sente os efeitos da alta. João, que atua no comércio de açaí há pouco tempo, conta que os preços pagos aos fornecedores dispararam. “O preço que eles estão pedindo está muito elevado. A média está entre trezentos e duzentos e noventa”, diz o autônomo João Araújo.
Além da escassez, outro problema que afeta o comércio é o curto prazo de validade do fruto. Caso não seja vendido rapidamente, ele perde qualidade e precisa ser descartado. “Quando sai de dentro do barco, ele já perde qualidade e por conta disso tem que procurar negociar de qualquer jeito”, explica.
Recentemente, imagens de produtores descartando grande quantidade de açaí na Baía do Guajará, na área do mercado do Ver-o-Peso, chamaram atenção nas redes sociais. O episódio gerou repercussão e levou autoridades a agir.
Segundo representantes do poder público municipal, o descarte irregular é considerado crime ambiental. Após a divulgação das imagens, uma operação foi realizada para identificar os envolvidos e orientar os trabalhadores. A prefeitura também informou que foram providenciados locais adequados para a destinação do fruto, evitando novos episódios.
Enquanto isso, consumidores e comerciantes seguem lidando com a instabilidade do mercado. Com a oferta reduzida e a demanda alta, a expectativa é que o preço do açaí continue elevado até a chegada da próxima safra.