Rosa dos Anjos transforma a Amazônia em arte, resistência e identidade

Artista transforma a Amazônia em identidade, luta e expressão que ecoa do ateliê para o mundo.
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A trajetória da artista Rosa dos Anjos, paraense radicada em Manaus é marcada por coragem, posicionamento e amor pela floresta. No Ateliê a arte nasce da vivência e se transforma em ferramenta de autonomia, memória e defesa da Amazônia.

Nascida no Pará, foi no Amazonas que Rosa construiu sua identidade artística. Ainda jovem, ao chegar a Manaus, já demonstrava talento na escola. Mas, mais do que dom, a arte sempre foi expressão de quem ela é.

“Eu comecei a amar a Amazônia. Eu via os bôticos de rosa, eu via as garças, eu via os pássaros, eu via a riqueza que a floresta, a Amazônia pode dar pra você. Eu criava coisas e fazia coisas pra casa, compartilhava com os meus alunos isso”, relembra.

Segundo ela, esse sentimento moldou toda a sua produção. “A minha vida artística é toda embasada nesse amor que eu descobri aos 15 anos de idade pela Amazônia.”

Arte como sustento e superação

A caminhada, no entanto, não foi simples. Aos 18 anos, grávida, Rosa precisou transformar a arte em fonte de renda. “O primeiro desafio na minha vida pra começar a trabalhar com arte foi quando engravidei e tinha que começar a ganhar dinheiro pra sustentar meu filho. Tinha 18 anos e sempre batalhei muito, nunca perdi o foco.”

Rosa dos Anjos transforma a Amazônia em arte, resistência e identidade

Anos depois, outro obstáculo surgiu: o diagnóstico de mal de Parkinson, em 2013. Desde então, ela enfrenta uma batalha diária. “Todo dia eu tenho que me acordar primeiro e brigar comigo mesma pra poder levantar e começar a trabalhar e fazer as coisas. Mas eu tô viva, eu agradeço a Deus.”

A fala resume o espírito de resistência que também está presente em suas obras.

Carta ao Papa e defesa da floresta

O reconhecimento ultrapassou fronteiras. Um dos momentos mais marcantes da carreira foi quando uma de suas pinturas chegou às mãos do Papa Francisco.

“O trabalho de maior relevância pra mim foi fazer essa pintura e saber que o Papa Francisco recebeu em mãos. Gostou, sorriu, leu a carta que mandei em italiano.”

A iniciativa nasceu após declarações sobre desmatamento na Amazônia. Rosa decidiu se posicionar: “Eu disse, não, vou mandar uma carta a esse Papa. E escrevi a carta em italiano, dizendo que nós não somos os desmatadores, nós somos os defensores da floresta.”

A obra passou a integrar a exposição Amazônia, em Roma, onde permanece em acervo permanente.

Homenagem em vidaEntre suas criações mais simbólicas está a escultura de Zezinho Corrêa, ícone da música amazonense. Para Rosa, a homenagem tem um significado claro: “Merecem, todos os nossos artistas merecem ser homenageados vivos, não mortos. Quem tiver oportunidade de homenagear alguém, homenageia enquanto esteja vivo.”

Arte que ensina e conecta

No ateliê, ela compartilha saberes com comunidades do interior do Amazonas, como Itacoatiara, Lago Anebar e Novo Airão, incentivando a produção de peças com madeira e outros materiais regionais. Para Rosa, ensinar é parte do processo criativo.

Sua arte fala de pertencimento, questiona narrativas e ocupa espaços. Mais do que estética, é posicionamento. No universo de Rosa dos Anjos, criar é resistir, é educar e é manter viva a identidade amazônica por meio das cores, formas e histórias que ecoam da floresta para o mundo.

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