“O Desenterro da Boiúna” tradicional lenda Tocantinense que permance na cultura popular

Evento no Centro Histórico une memória ribeirinha, cultura popular e movimenta a economia da capital cultural do Tocantins
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Desenterro da Boiúna abre o carnaval de Porto Nacional com tradição, lenda e emoção
Evento no Centro Histórico une memória ribeirinha, cultura popular e movimenta a economia da capital cultural do Tocantins

O som do batuque dos tambores ecoou pelas ruas e anunciou o início de uma das festas mais aguardadas do ano em Porto Nacional. Diante da imponente Catedral Nossa Senhora das Mercês, moradores e visitantes acompanharam o tradicional Desenterro da Boiúna, espetáculo que marca oficialmente a abertura do carnaval na cidade.

Criado em 2001, o evento nasceu como resposta cultural à formação do lago que desterritorializou comunidades ribeirinhas e apagou parte da história local. Segundo  Everton dos Andres, organizador do evento, o objetivo foi preservar a memória popular.

“Esse espetáculo surgiu como uma forma de resistência e de resposta cultural à criação do lago que desterritorializou a população ribeirinha. A gente resolveu criar esse espetáculo para manter a memória das histórias dos ribeirinhos, das histórias do rio.”

A Buiúna é uma lenda típica da cidade, passada de geração em geração.

“A gente aprendeu ela com os nossos avós, com os nossos pais. Ela representa uma força guardiã do centro histórico.” diz organizador.

De acordo com a tradição, a cabeça da serpente estaria enterrada sob a catedral e a cauda do outro lado do rio. A profecia diz que, se a Buiúna for desenterrada, a cidade pode inundar. Parte dessa previsão, segundo moradores, já teria se cumprido com a formação do lago, que engoliu áreas históricas, inclusive um antigo coreto em frente à igreja.

No carnaval, porém, a lenda ganha outro significado. A cobra gigante é simbolicamente “desenterrada” para despertar alegria e espírito festivo.

“A gente capturou e ela vem no carnaval dançar com a gente.” Tradição que atravessa gerações
Realizado todos os anos no Centro Histórico, o cortejo mistura marchinhas, bonecos gigantes, irreverência e elementos do imaginário popular. Para quem participa, o momento vai além da folia.

“O Desenterro da Buiúna é mais do que uma encenação carnavalesca, é o reencontro do município com suas raízes.” Moradores que vivem fora da cidade também retornam para celebrar.

“É uma tradição maravilhosa e não pode morrer nunca. Quem nasce aqui, cresce aqui, mesmo que more fora, quando volta continua na mesma tradição.” Revela o prefeito Ronivo Maciel.

E completou, “Carnaval faz parte da nossa cultura, mas também faz parte do aquecimento da nossa economia. É momento de reencontro da família, dos amigos. A gente atrai muita gente de outras cidades que vem conhecer o espetáculo, porque esse espetáculo é típico de Porto Nacional. Tem até cópias por aí, mas o original é aqui.” Finalizou.

Entre lendas, música e celebração coletiva, o Desenterro da Buiúna reafirma a identidade cultural de Porto Nacional e mostra que o carnaval local vai além da festa: é memória viva, resistência e orgulho popular que atravessa gerações.

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