Da periferia à avenida: Grande Família transforma união comunitária em força no Carnaval

A escola que nasceu como grupo de pagode na periferia transforma união, tradição e identidade cultural em um desfile que ecoa no Carnaval brasileiro.
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A história da Escola de Samba Grande Família começa muito antes de ganhar a avenida. Em 1986, o que existia era um grupo de pagode que animava o Bloco da Onça. A batida simples, a amizade e a força da comunidade deram origem a um movimento que cresceria junto com a Zona Leste de Manaus.

Com o passar dos anos, o grupo ganhou corpo, identidade e propósito. Em 1995, a Grande Família se consolidou oficialmente como escola de samba, estreando com um enredo inspirado na lenda do Guaraná, símbolo da cultura amazônica. Desde então, a trajetória da agremiação é marcada por união, pertencimento e resistência cultural.

Hoje, o apelido de “gigante da Zona Leste” carrega orgulho — e também peso. “É muito legal, é gratificante, mas a responsabilidade é muito grande. Você tem a responsabilidade de comandar o coração da escola”, afirma o Mestre de Bateria Luciano Oliveira. Resumindo o sentimento de quem vive o samba por dentro.

Essa responsabilidade se traduz em disciplina e entrega. “Nós e carro de som não podemos errar, a gente não pode parar de tocar”, reforça, destacando o compromisso com a comunidade que comparece em peso aos ensaios. Na quadra, a bateria impõe o ritmo, as alas se organizam e o espaço se transforma em um verdadeiro ponto de convivência e cultura popular.

A confiança no trabalho é evidente, conforme o primeiro Mestre de bateria, Walmir Jr. “A escola vem com um som bem forte, vem cantando, é um samba bem fácil. Para mim, é o melhor samba do Carnaval. Tenho certeza que a gente vai trazer esse título para a Zona Leste”, projeta, com otimismo e emoção.

Para este ano, a proposta promete impactar o público. “Nós viemos com uma proposta linda, homenageando Maracanaú e o São João. Está tudo muito bem trabalhado e vamos levar um show para a Avenida”, garante a Porta-banderia, Ingrid Alcantara, reforçando o cuidado estético e cultural do desfile.

 

Mais do que uma escola, a Grande Família é feita de histórias que se confundem com a própria Zona Leste. São pessoas que cresceram com a agremiação e seguem mantendo vivo o samba como expressão de identidade coletiva.

Com a expectativa em alta e a disputa acirrada, o recado é direto: “Ninguém tá pra brincadeira!”. De um grupo de pagode em 1986 a uma escola consolidada desde 1995, a Grande Família mostra que samba é raiz, é união e é comunidade — e que o gigante da Zona Leste segue desfilando sua história com orgulho na avenida.

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