Onça-pintada resgatada no Rio Negro expõe rotina de salvamento da fauna no Amazonas

Resgate de onça-pintada no Rio Negro evidencia os desafios enfrentados pela vida silvestre no Amazonas, onde centenas de animais são salvos anualmente.
Redação Amazônia Incrível
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A imagem de uma onça-pintada lutando contra a correnteza do Rio Negro, à deriva na região da Ponta Negra, em Manaus, acendeu um alerta sobre a realidade enfrentada diariamente pela fauna silvestre no Amazonas. Ferido, exausto e sem forças, o animal mobilizou moradores, autoridades ambientais e equipes de resgate em uma operação delicada que terminou com uma nova chance de vida.

O caso da onça não é isolado. Somente em 2025, quase 900 animais silvestres foram resgatados no estado, segundo dados do Ibama. São vítimas de incêndios florestais, tráfico de animais, caça ilegal ou da perda de habitat, que acabam empurrando espécies da floresta para áreas urbanas em busca de sobrevivência.

No resgate da onça-pintada da Ponta Negra, atuaram de forma integrada o Batalhão de Policiamento Ambiental, o Corpo de Bombeiros e outros órgãos ambientais. Após ser retirada da água, exames revelaram a gravidade da situação: o animal havia sido atingido por um disparo de espingarda, com mais de 30 estilhaços espalhados pelo corpo.

Onça-pintada resgatada no Rio Negro expõe rotina de salvamento da fauna no Amazonas

Por trás de cada ocorrência como essa, existe um trabalho que exige técnica, rapidez e, principalmente, cuidado. No Amazonas, o processo começa com o acionamento dos órgãos ambientais, responsáveis por retirar o animal da área de risco, realizar a triagem e garantir o atendimento inicial.

No âmbito estadual, essa função é desempenhada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), especialmente em áreas urbanas. As equipes atuam sempre buscando preservar a segurança da população e do próprio animal.

“A gente presta orientações, faz a captura e a coleta desses animais que estão trazendo algum tipo de incômodo para a população ou que estão em vias de perigo, como risco de eletrocussão ou queda. O contato é feito pelo WhatsApp, e a gente realiza esse trabalho”, explica Sônia Canto, que atua diretamente no serviço de resgate de fauna.

Além da onça-pintada, outros salvamentos marcaram o ano. Um dos casos foi o resgate de um peixe-boi encontrado em situação crítica. A equipe foi acionada e precisou agir rapidamente para garantir a sobrevivência do animal. Em uma das ocorrências, o resgate envolveu um deslocamento de longa distância.

Onça-pintada resgatada no Rio Negro expõe rotina de salvamento da fauna no Amazonas

“Já tivemos um resgate de um peixe-boi que veio do município de Guajará. Os técnicos passaram dois dias dentro de uma lancha, com o animal no colo, molhando o tempo todo, tendo todo o cuidado necessário para levá-lo até o centro de reabilitação”, relata.

Em situações envolvendo animais silvestres em risco, a orientação é acionar o IPAAM por meio da Gerência de Fauna, com atendimento via WhatsApp de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. Em casos de emergência, a Polícia Ambiental e o Corpo de Bombeiros também podem ser chamados.

Cada resgate representa mais do que uma operação técnica: é uma ação direta na preservação da biodiversidade amazônica. “É isso que sensibiliza. É o amor pelo animal, para que ele cumpra o seu papel. Todos nós somos importantes, inclusive a fauna, que tem um papel fundamental dentro das florestas”, destaca Sônia.

Proteger, preservar e ajudar fazem parte de um mesmo compromisso. Em um ecossistema onde tudo está conectado, salvar a vida de um animal é também garantir o equilíbrio e o futuro da maior floresta tropical do planeta.

Carregar Comentários