Ministério da Cultura publica edital inédito em Nheengatu e reforça inclusão de povos indígenas

Ministério da Cultura lança primeiro edital público de cultura em língua indígena, visando ampliar a participação de povos originários nas políticas culturais.
Redação Amazônia Incrível
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Iniciativa inédita, desenvolvida em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas, integra a Política Nacional Aldir Blanc.

O Ministério da Cultura (MinC) deu um passo histórico para ampliar o acesso de povos indígenas às políticas públicas culturais. Em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a pasta lançou nesta sexta-feira (26) o primeiro modelo de edital público de cultura traduzido para o Nheengatu, também conhecido como Língua Geral Amazônica.

A iniciativa inédita busca romper barreiras linguísticas que, por décadas, dificultaram a participação de mestres, artistas e fazedores de cultura indígenas nos mecanismos de fomento cultural. O material integra a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e já nasce com potencial de alcance nacional.

Editais mais acessíveis e democráticos

Segundo a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o lançamento do edital em Nheengatu mostra que é possível construir políticas culturais mais inclusivas e conectadas à diversidade do país.

A proposta é que o modelo sirva de referência para estados e municípios, incentivando a tradução de editais para as línguas indígenas mais faladas em cada território. A expectativa é ampliar a participação social e garantir que os recursos públicos cheguem, de fato, às comunidades tradicionais.

Nheengatu: língua viva da Amazônia

A escolha do Nheengatu tem forte valor simbólico e territorial. A língua é falada por cerca de 6 mil pessoas no Vale do Rio Negro, na Amazônia, e representa um importante patrimônio linguístico brasileiro.

Para a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, adaptar a linguagem dos editais é reconhecer a identidade e a memória dos povos originários. Segundo ela, a língua é parte essencial da cultura e do modo de existir dessas comunidades.

Tradução como reconhecimento histórico

A tradução do edital foi realizada pelo professor Edilson Baniwa, coordenador-geral de Articulação de Políticas Educacionais Indígenas do MPI. Ele destaca que a iniciativa vai além da adaptação linguística e representa um gesto de reconhecimento e reparação histórica.

O processo também contou com a colaboração de Karkaju Pataxó, coordenador-geral de Promoção a Políticas Culturais do MPI, que ressalta o impacto prático da medida ao reduzir a dependência de intermediários e fortalecer a autonomia cultural indígena.

Modelo pode ser replicado em todo o país

O edital traduzido em Nheengatu está disponível para consulta pública e pode ser replicado por estados e municípios. A iniciativa reforça a construção de uma política cultural mais plural, inclusiva e territorializada.

A expectativa do governo federal é que a ação estimule novas traduções e fortaleça a democracia cultural brasileira, reconhecendo a diversidade linguística como parte fundamental do acesso à cultura.

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