Onde o sol se põe por último no Brasil: a jornada pela Serra do Divisor, no Acre

Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre, é o último lugar onde o sol se põe no Brasil e destino de uma jornada emocionante.
Redação Amazônia Incrível
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Já imaginou visitar o lugar onde o sol se põe por último no Brasil? É no Acre, estado marcado por uma história singular — o único que lutou para ser brasileiro — e por paisagens que impressionam pela força da natureza e pelo sentimento de pertencimento de quem vive ali. O destino da vez é o Parque Nacional da Serra do Divisor, um dos tesouros naturais mais preservados do país, localizado no município de Mâncio Lima, na fronteira com o Peru.

A jornada começa em Rio Branco, capital acreana. Pela BR-364, a estrada corta o interior do estado em uma viagem longa e desafiadora. A primeira parada acontece no município de Bujari, ponto estratégico para o café da manhã antes de encarar centenas de quilômetros.

“Graças a Deus a gente está aí, sempre vendo a gratificação dos clientes, que passam, que param e dão um bom café da manhã para a gente”, relata um dos comerciantes locais, acostumado a receber viajantes que cruzam a rodovia.

Com as energias renovadas, o grupo segue viagem. São cerca de 635 quilômetros até Cruzeiro do Sul, passando por municípios como Rodrigues Alves, até avistar a bandeira do Acre tremulando no alto da ponte sobre o Rio Juruá, sinal de que o destino para o descanso da noite foi alcançado.

Antes do amanhecer, às 3h30 da manhã, a expedição recomeça em direção a Mâncio Lima. É lá que os aventureiros se encontram com representantes do ICMBio e da CISA, responsáveis pela fiscalização e pelo trabalho de base comunitária ligado ao turismo na região.

“Fizemos uma parada técnica com o pessoal do ICMBio e da CISA para entender como funciona o trabalho de base comunitária do turismo”, explica um dos integrantes da expedição.

Após o café, o grupo segue até o porto de Mâncio Lima, ponto de partida para a subida do Rio Moa. Para navegar pela região, é obrigatória a autorização do ICMBio, além da comunicação com os fiscais responsáveis. A previsão é de oito horas de viagem pelo rio, com paradas estratégicas, como no posto de fiscalização do Exército.

“Essa parada é importante para o pessoal poder usar o banheiro, esticar as pernas, porque ainda tem muita água pela frente até chegarmos de fato ao nosso destino”, comenta o guia.

A chegada à Serra do Divisor exige mais esforço. Após o trajeto de barco, vem uma subida de cerca de um quilômetro até o mirante, a aproximadamente 800 metros acima do nível do mar. O esforço é recompensado por uma vista de tirar o fôlego, com a linha natural que divide Brasil e Peru acompanhando o curso do Rio Moa.

O Parque Nacional da Serra do Divisor é uma unidade de conservação de proteção integral e abriga uma biodiversidade única. Há plantas que só existem ali e até espécies raras de aves que fazem da região seu único habitat conhecido.

Entre os atrativos naturais, a Cachoeira do Amor chama atenção não apenas pela beleza, mas também pela lenda que a cerca. Dizem que quem se banha em suas águas encontra o amor ou fortalece laços já existentes. Foi ali que o grupo encontrou a turista carioca Marisette Peladino, que conheceu a Serra do Divisor a convite de amigas acreanas.

“Minha amiga, que mora aqui no Acre, falou desse lugar e eu achei a ideia maravilhosa. Realmente fico encantada”, contou Marisette.

A poucos minutos de barco está outro ponto curioso: o Buraco da Central. O local surgiu nos anos 1960, quando a então Petrobras tentou encontrar petróleo na região e acabou perfurando um lençol de água.

“Isso aqui é a caldeira, era movida a lenha e gerava energia para os motores de perfuração. O buraco tem aproximadamente 600 metros por mil, e a água é morna”, explica um morador que conhece a história do local.

Uma das curiosidades é que, desde a década de 1960, o volume de água que jorra permanece o mesmo. A água é rica em ferro e enxofre, o que permite uso medicinal, embora seja imprópria para consumo.

No dia seguinte, a expedição segue até a Cachoeira do Ar Condicionado, conhecida pela água extremamente gelada e pelo vento intenso causado pela força da queda d’água. De volta à pousada, o grupo conversa com Miro, proprietário do local e uma das figuras responsáveis por incentivar o turismo comunitário na região.

“O pessoal começou a pedir para eu fazer uma casinha para hospedar as pessoas. Comecei a trabalhar nisso há uns 20 anos, fiz a primeira pousada e, a cada dia, fomos melhorando”, relembra.

A viagem chega ao fim, mas a experiência deixa marcas profundas. Como diria Roberto Carlos, “o show já terminou”, e é hora de voltar à rotina. Ainda assim, quem conhece a Serra do Divisor retorna diferente — transformado pela natureza, pelas histórias e pela força de um dos lugares mais impressionantes do Brasil.

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