O escritor amazonense Jorge Ernesto Klein celebra a chegada da terceira edição de Canoas de Guerra, livro que revisita narrativas inspiradas em povos originários da região. Publicada pela primeira vez em 2021, a obra nasceu em um período marcado por perdas familiares e dificuldades pessoais, fatores que influenciaram diretamente seu lançamento inicial.
Ele recorda que, houve um tempo que não havia planejado seguir carreira literária, e uma época, o livro ainda se chamava Acaraéçoot e acabou passando despercebido. “Eu não me empolguei. Foi um ano muito difícil. Perdi minha irmã em fevereiro e meu irmão no começo de setembro. Minha cabeça estava um turbilhão”, relembra. A produção também enfrentava entraves práticos: “Eu não tinha ilustradora, ainda não tinha nada pronto.”
A virada veio com a segunda edição, quando críticas construtivas de leitores o levaram a fazer ajustes importantes. Um deles apontou que a narrativa dava mais espaço à perspectiva dos Sateré-Mawé do que à dos Muduruku. O escritor decidiu, então, revisitar o texto. “Nesta nova edição eu falo mais dos Muduruku, com uma visão de dentro da aldeia. Relato também detalhes sobre a morte do tuxaua Sateré e como os Muduruku descobriram onde eles estavam.”
Para ele, a terceira edição representa a versão mais completa e sensível da obra. “Agora ficou do jeito que eu queria. Fiquei muito feliz com o resultado.”
Com mais de duas mil cópias impressas ao longo das três edições, o autor acredita que o livro ainda pode circular mais, especialmente no Amazonas. “O mercado livreiro em Manaus é complicado. Mil livros não são nada para uma cidade desse tamanho. Todo mundo daqui deveria ler esse livro para conhecer um pouco dos povos originários, ainda que numa ficção.”
O escritor afirma já ter planos para o futuro. Embora deseje escrever um novo título, seu foco atual é ampliar o alcance de Canoas de Guerra pelo Brasil. “Quero levar esse livro para o resto do país”, diz, confiante de que a obra pode ajudar a aproximar leitores das histórias e culturas indígenas da Amazônia.