As escavações realizadas em um sítio arqueológico na área central de Parintins estão revelando indícios de uma ocupação humana muito mais antiga do que se imaginava para a região. A atividade integra a disciplina de Prática de Campo do curso de Arqueologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e resultou na identificação de vestígios que podem remontar a mais de 3 mil anos.
No local, arqueólogos e estudantes encontraram fragmentos de cerâmica e materiais líticos que apontam para a existência de um grupo humano anterior à chegada dos colonizadores portugueses e também anterior às populações indígenas historicamente conhecidas no território.
A arqueóloga Clarice Bianchezzi, da UEA, explica que a tipificação e o estilo da cerâmica encontrada reforçam a hipótese de grande antiguidade do sítio.
“Estamos trabalhando com cerâmicas que apresentam características já datadas em cerca de 3 mil anos. A composição, a decoração e o modelado são muito semelhantes às que já estudamos em outros sítios, o que nos permite estimar idade próxima para os materiais identificados em Parintins”, afirmou.

O professor Lucas Bonald, que coordena os estudos no local, destaca que a grande quantidade de fragmentos indica uma possível área de produção cerâmica.
“Pelo volume de materiais líticos pequenos e concentrações de argila identificadas, acreditamos que este ponto pode ter sido um espaço destinado à fabricação. Além disso, encontramos o limite de uma camada de terra preta, o que pode indicar o início de um processo de ocupação muito antigo”, explicou.
A escolha do terreno não foi aleatória. Desde 2015, pesquisadores da UEA e instituições parceiras realizam o mapeamento arqueológico de Parintins, que já conta com 44 sítios identificados. No entanto, o número pode ser maior, pois há registros ainda não catalogados por falta de coordenadas geográficas precisas.
As peças coletadas passarão agora por análises laboratoriais seguindo protocolos da arqueologia brasileira. Parte dos estudos poderá ser realizada em laboratórios de instituições nos Estados Unidos ou na Europa, devido às tecnologias avançadas necessárias para a datação e caracterização dos materiais.
As descobertas reforçam a importância de Parintins como área de ocupação humana milenar e abrem novas frentes de pesquisa sobre as culturas que viveram na região muito antes do contato europeu.