Desova das tartarugas da Amazônia começa com atraso no Vale do Guaporé

Chuvas fora de época atrasam início da desova das tartarugas-da-Amazônia, ameaçando a sobrevivência da espécie no Vale do Guaporé.
Redação Amazônia Incrível
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Começou em São Francisco do Guaporé, região de fronteira entre Rondônia e a Bolívia, um dos espetáculos mais marcantes da natureza amazônica: a desova das tartarugas-da-Amazônia. Neste período, milhares de fêmeas deixam as águas do rio e sobem às praias de areia para depositar seus ovos, garantindo a continuidade da espécie.

Cada tartaruga põe, em média, 100 ovos por ninho, e o nascimento dos filhotes está previsto para o início de dezembro. No entanto, segundo a ONG Eco Vale, as chuvas fora de época atrasaram o início da desova em cerca de dois meses, o que pode impactar a sobrevivência dos filhotes.

De acordo com Zeca Lula, voluntário da ONG, a cheia dos rios tem prejudicado o processo natural. “Com muito atraso, exatamente dois meses, iniciou a desova das tartarugas aqui no Vale do Guaporé. É uma situação preocupante. Se o rio voltar a encher normalmente, como ocorre todos os anos, a perda de filhotes será muito grande”, explicou.

Desova das tartarugas da Amazônia começa com atraso no Vale do Guaporé

Ele acrescenta que já estão sendo discutidas medidas com o IBAMA e o Programa Quelônios da Amazônia (PQA) para reduzir os impactos. “Precisamos realizar uma operação de salvamento assim que os filhotes estiverem prontos para nascer. Queremos contar com o apoio de voluntários, inclusive do município de Costa Marques, para salvar o maior número possível de tartaruguinhas na temporada de 2026”, completou.

Durante o período de reprodução, o IBAMA intensifica as fiscalizações para combater o comércio ilegal de ovos e animais, prática que ainda ameaça a espécie. Com o apoio de voluntários e ações de conscientização ambiental, o trabalho de preservação no Guaporé segue como um exemplo de resistência e cuidado com o patrimônio natural da Amazônia.

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