Manaus, 3 de outubro de 2025 – O cinema amazonense perdeu nesta sexta-feira (3) um de seus maiores nomes. O cineasta, diretor, escritor e documentarista Roberto Kahane faleceu em Manaus, sua cidade natal, aos 77 anos. Sua trajetória foi marcada pelo compromisso em registrar e preservar a memória cultural e histórica da Amazônia.
Nascido em 7 de setembro de 1948, Kahane cresceu cercado pela atmosfera artística do Teatro Amazonas, que o inspirou desde cedo a trilhar o caminho do audiovisual. Ao longo de sua carreira, destacou-se como um incansável documentarista, responsável por resgatar obras raras e até perdidas da Cinemateca Brasileira. Entre elas, um filme quase centenário sobre a prisão de Ribeiro Júnior, líder da Revolução Tenentista de 1924.
Durante décadas, manteve um acervo fílmico de valor inestimável, composto por produções próprias, negativos raros e obras herdadas de seu pai. Esse legado foi tema do documentário Roberto Kahane e a Câmera do Dr. Salim (2023), exibido no Teatro Amazonas, que também revelou a importância do papel de seu pai na preservação dessas imagens.
Entre suas produções mais conhecidas estão Como Cansa Ser Romano nos Trópicos (1970), Noite Sem Homem (1976), Igual a mim, igual a ti e Um pintor amazonense. Em 2019, nove de seus filmes foram exibidos no Cine Teatro Amazonas, reforçando sua relevância para a história do cinema regional.
Nos últimos anos, Kahane seguiu ativo. Em 2023, recebeu homenagem do Cineclube de Arte, que promoveu uma mostra com parte de sua obra. Em 2025, lançou o documentário Etelvina Garcia: A Memória Viva, seu último trabalho, consolidando-se como um guardião da memória cultural amazônica.
Com sua morte, o Amazonas se despede de um artista que fez do cinema uma ferramenta de resgate histórico e de afirmação da identidade regional. Roberto Kahane deixa um legado inestimável para a cultura e o audiovisual brasileiro.