O músico Abner Viana é um dos músicos do Amaoznas que já ganhou destaque internacional
O músico amazonense Abner Viana construiu uma trajetória marcada pela versatilidade e pelo reconhecimento em palcos nacionais e internacionais. Natural de Manaus, iniciou os estudos musicais ainda na infância e se formou em Clarineta pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), onde também conquistou o título de mestre em Música.
“Eu comecei a minha vida musical aqui em Manaus, eu sou músico manauara. Minha trajetória começa ali onde tem a antiga Escola Técnica Federal do Amazonas, que tinha uma banda lá na época, isso era final dos anos 90. Depois ingressei no liceu Cláudio Santoro. Passando essa fase aí eu fui também estudando fora, indo para outros estados do Brasil também. Então a minha carreira começa em Manaus e aí ela vai embora, depois alavanca, fui para a Europa”.
Com mais de uma década como saxofonista da Orquestra Amazonas Jazz Band e professor no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, Viana consolidou seu nome no cenário erudito e popular. Sua carreira inclui participações em eventos de destaque, como o Montreux Jazz Festival (Suíça), o Festival Amazonas de Ópera, a Oficina de Música de Curitiba e o Festival Amazonas Jazz.

Ao longo da trajetória, já dividiu palco com artistas como Frank Sinatra Jr., Guilherme Arantes, Leila Pinheiro, Bob Mintzer e Gilson Peranzzetta. Paralelamente, desenvolve projetos autorais como o Abner Viana Quinteto e o Juruparí Ensemble, explorando o diálogo entre jazz, música erudita e brasileira.
Entre as obras que marcam sua carreira, destaca-se a gravação de “Frevando em Manaus”, partitura inédita de Hermeto Pascoal em homenagem à capital amazonense, que ganhou nova vida pelas mãos do músico manauara.
“O trabalho do Frevando em Manaus, que foi lançado em 2021, ele começa quando eu estava trabalhando na época, fui convidado para um show do Zeca Torres, o Torrinho. O Torrinho que tinha posse dessa partitura do Frevando em Manaus, esteve por aqui, muito provavelmente entre 1995 e 1996, deu uma rodada na cidade e enquanto ele estava sendo entrevistado ele pediu umas folhas de papel com caneta e começou a compor a música ao vivo. E aí antes de eu ter ido embora, em 2018, tinha um show para fazer no Teatro Manauara com o Zeca Torres. Aí ele perguntou se eu conhecia e tal. O Hermeto é meu ídolo, desde praticamente o início da minha adolescência ali e eu conheci a música do Hermeto Pascoal ali, aí posteriormente conheci os músicos, posteriormente conheci o Hermeto, toquei com o Hermeto.”

E completou:
“E aí recebi a partitura, fiz a cópia, devolvi o original para o Torrinho. Ele falou, vê aí o que você vai fazer e tal. E eu montei, na verdade, passou um tempo, eu fiquei com ela guardada, até conversei sobre essa música com alguns músicos do Hermeto e eu fiquei com a curiosidade de saber se alguém já tinha gravado. Aí eu descobri que não, que ninguém ainda tinha gravado essa música. Aí eu falei, cara, então eu estou pensando em fazer um arranjo para homenagear a minha própria cidade, sendo que eu também sou de lá, de Manaus. Aí chegou uma expandemia na era dos editais, aí eu escrevi para um edital nacional, ganhei esse edital nacional e aí eu fiz esse arranjo mesmo, já coloquei todas as ideias para fora em 15 dias praticamente.”
A ideia inicial era transformar a obra em arranjo para big band, mas Viana optou por outro formato.
“Não dava para ser para uma big band como eu tinha pensado e aí eu gravei em forma de ensamble mesmo. Escrevi para flauta, flautinha, clarinete, saxofone alto, dois trombones, dois trompetes, bateria, percussão, vibrafone, que era um instrumento de percussão, mas é um instrumento de tecla de percussão, trabaixo elétrico, piano e o solo que foi de escaleta. O tema musical preservou, criei umas introduções, criei também uns desenvolvimentos para poder finalizar a música e eu mandei para o Hermeto, para ver o que o Hermeto achava. Ele adorou, ele liberou.”
Outro marco importante na carreira do músico foi a produção do audiovisual “Soirée Brésilienne – Celebrando a Música de Henrique Alves de Mesquita”, lançado em 2022 com o Abner Viana Quinteto. O trabalho entrou para a história por ser o primeiro curta-metragem musical realizado na Amazônia, gravado no palco do Teatro Amazonas.
Por fim, o público pode conferir o resultado de “Frevando em Manaus”, obra que une a genialidade de Hermeto Pascoal ao talento de Abner Viana, em homenagem à capital amazonense.