Eles só podem ser vistos do alto, mas guardam segredos que atravessam milênios. Os geoglifos do Acre, verdadeiras marcas da presença humana pré-colombiana na Amazônia, são mais de 500 estruturas monumentais catalogadas em diferentes municípios do estado, despertando interesse científico e turístico.
Essas construções, feitas por povos ancestrais, mostram uma organização social, cultural e religiosa sofisticada, como explica a arqueóloga Raquel Frota:
“Para você entender a importância dos geoglifos, você tem que se olhar no espelho e entender que a sua ancestralidade é muito maior e mais complexa do que imagina. Os povos que construíram os geoglifos ainda pulsam em nosso sangue. Nosso trabalho na Secretaria de Turismo é conscientizar a população desse pertencimento.”

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O valor histórico se alia ao potencial turístico. Gleison Xavier, da Secretaria Municipal de Turismo de Rio Branco, destaca que a busca pelo passado movimenta a economia local e coloca o Acre no mapa mundial:
“A Prefeitura está com um projeto de um observatório no Jaco sá, um sítio arqueológico tombado pelo IPHAM. Com mais de 25 metros de altura, o turista poderá subir e contemplar toda a dimensão dessas estruturas.”

Estudos indicam que os geoglifos têm entre 1.000 e 2.000 anos, desafiando a ideia de uma Amazônia intocada e revelando histórias ainda em construção. O Estado apoia ações de preservação, sinalização e capacitação de guias turísticos para fortalecer o entendimento da população sobre esses registros históricos.
Raquel Frota também comenta o fascínio popular e as lendas urbanas em torno dos geoglifos, algumas delas ligadas a teorias sobre extraterrestres:
“Alguns turistas acreditam que os geoglifos foram feitos por ETs ou povos intraterrenos. São concepções válidas sobre o patrimônio histórico, e nosso papel é respeitar essas interpretações sem desmentir nem compactuar.”

Os geoglifos do Acre são, portanto, não apenas um tesouro arqueológico da Amazônia, mas também um convite à reflexão sobre ancestralidade, identidade e preservação cultural. Quem visita a região tem a chance de se conectar com milênios de história e compreender a riqueza ancestral que pulsa em cada traço desenhado na terra.
Dicas para turistas: Jaco sá é o principal sítio arqueológico aberto à visitação em Rio Branco, com observatório planejado para oferecer vista panorâmica dos geoglifos e atividades guiadas com especialistas.