Expedição Pipilintu navega a remo do Lago Titicaca à foz do Rio Amazonas em Macapá

Equipe francesa realiza expedição inédita navegando de barco do Lago Titicaca até a foz do Rio Amazonas no Brasil.
Redação Amazônia Incrível
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Expedição francesa partiu do Lado Titicaca no mês de Julho.

Um grupo de franceses está realizando uma ousada expedição que conecta a Cordilheira dos Andes à Amazônia brasileira. Saindo do Lago Titicaca, na fronteira entre Peru e Bolívia, eles descem os rios rumo ao Brasil com o objetivo de chegar a Macapá, na foz do Rio Amazonas, no Oceano Atlântico.

Os integrantes da expedição Pipilintu são: Fabien, instagram Baboune_lowtech, líder e capitão; Santiago, responsável pela comunicação; Benjamin, encarregado da alimentação e nutrição do grupo; e Tello, fotógrafo. O trajeto começou em 19 de julho de 2025, mas, segundo Fabian, o planejamento é muito anterior. Em entrevista exclusiva ao Amazonia Incrível eles contaram detalhes da expedição.

“A ideia para esta expedição já tinha durante muito tempo, a cerca de 1 ano. Um inicio era fazer uma viagem pelo mundo com os remos. Uma viagem grande com milhares de quilometros. Um desafio desportivo que tenho em minha cabeça”.

A balsa ancestral de Totora

Expedição Pipilintu navega a remo do Lago Titicaca à foz do Rio Amazonas em Macapá

A embarcação utilizada é uma balsa tradicional dos povos andinos, feita com o cipó Totora. Essa técnica milenar servia não apenas para barcos de pesca e transporte, mas também para a construção de ilhas flutuantes. Fabian explica que a experiência de construir o barco foi única:

“O Barco não é feito de bambu, é feito de tipo de cipó que se chama totorá e cresce no Lago Tititica há mais de 4 mil metros de altura. E este Cipó faz mais de mil anos que os indigenas deste lago constroem barcos e navegam. E o processo de construção deste barco durante dois meses a gente com a família indigena e também com muitas pessoas chegaram para ajudar a gente e construiram este barco”.

Ele completa: “No lago Titicaca foi o conhecimento que tive pra mim de fazer a construção do barco de cultura indigena, uma arte que me chamou muita atençao e que amo muito. Então, decidi fazer os dois um projeto desportivo deste barco que partiu da Bolivia, que é uma parte muito importante da história e de patrimônio maritimo deste país”.

O significado de “Pipilintu”

Expedição Pipilintu navega a remo do Lago Titicaca à foz do Rio Amazonas em Macapá

O nome da expedição carrega um simbolismo de transformação e força.

“O nome Pipilintu significa na lingua indigena, Borboleta, e para nós o significado da borboleta é porque são insetos que fazem uma viagem por mais de mil quilometros. Gasta muita energia mas que faz a cada dia poucos quilometro. E no final as borboleteas alcançam seu objetivo de fazer esta viagem. Então, pra gente é uma motivação a cada dia progredir e ir até o objetivo”.

Para os navegadores, chegar a Macapá representa mais que uma meta geográfica. “Macapá para gente é a desembocadura do rio Amazonas e também a entrada para chegar no Atlântico e pra gente fazer este tramite entre o lago Titicaca e o Atlântico tem uma significação muito grande de chegar no oceano. Somos navegadores franceses e gostamos muito do oceano, então é um boa saída pra gente”.

Desafios e superações

Expedição Pipilintu navega a remo do Lago Titicaca à foz do Rio Amazonas em Macapá

A jornada não tem sido fácil. Além das longas horas remando, o grupo enfrenta riscos naturais e limitações do próprio material da embarcação. “O maior desafio técnico para fazer essa expedição tão longe é que adotamos um material orgânico que tem uma duração de vida limitada. Então, são alguns meses que vai ter que aguentar uns meses na água. Então é um desafio de fazer ir tão longe de 3.600 km.”

As condições adversas começaram logo na saída. “Os desafios que a gente encontrou nesta expedição foi a saída perto do Lago Titicaca, o rio tem uma corrente muito forte, ondas grandes que a navegação bem perigosa para nós. Mas passamos bem e depois o desafio foi buscar um ritmo de buscar remar porque são dias longos, com remadas de 10 horas, então é um desafio desportivo que tinhamos que procurar um bom ritmo. E depois descer o Rio Beni a gente tinha que passar o barco para a fronteira da Bolivia para o Brasil, e nessa fronteira tem muitas cachoeiras, usinas e muitas coisas que podem ser bem perigosos”.

Eles também relataram momentos que precisaram de atenção ao passar por uma cachoeira.

“A gente tinha que passar por uma cachoeira grande com o barco vazio, era uma manobra bem complicada de largar o barco de cima da cachoeira e recuperar o barco embaixo da cachoeira. Mas passamos e chegamos em Porto Velho para fazer toda a documentação administrativa para entra no Brasil e com ajuda da Marinha do Brasil foi uma etapa bem legal na expedição para depois se fazer toda a navegação necessário para navegação no Rio Madeira. O maior perigo é o temporal, que por exemplo, no dia 5 de setembro pegamos um temporal muito forte, a chuva muito forte, o vento forte e as ondas crescendo”.

Registro e aprendizados

Expedição Pipilintu navega a remo do Lago Titicaca à foz do Rio Amazonas em Macapá

A expedição está sendo registrada em tempo real e deve se tornar um documentário. “Já durante a expedição estamos escrevendo artigos no site da expedição, pipilintu.com mas no final depois da expedição vamos produzir um vídeo sobre tudo, a parte da Bolivia, a parte do Brasil, a chegada, construção do barco, tudo que se passou durante a expedição”.

Fabien também destaca os aprendizados culturais e ambientais durante o percurso: “Os aprendizados culturais e ambientais que a gente encontrou chegando no Brasil foi a primeira surpresa foi com os animais do Rio Madeira que são muito impressionantes, tipo os jacarés grandes, muitos botos e uma linda supresa para gente também é que encontramos muitas dragas de ouro com muita contaminação com o mercúrio. Então a gente cuida para não consumir a água, fazendo uma limpeza”.

Apesar das dificuldades, as comunidades ribeirinhas têm sido um apoio constante. Inclusive pintando a vela da embarcação. “Desde o inicio de Porto Velho, depois de Humaitá de todas as comunidades onde a gente passou, recebemos uma recepção muito legal dos ribeirinhos. E a gente encontrou muitas pessoas no rio, chegando no barco para falar, para ver o barco, tirar alguma foto. Algumas vezes oferecem para gente frutas e isso é uma boa motivação para gente seguir a navegação”. A jornada segue rumo à foz do Amazonas, passando por vários municipios do Amazonas e Pará. Aproveite e siga também o instagram Baboune_lowtech

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