Exposição “Ritos De Batismo Indígena do Tocantins” vai visitar todo estado do Tocantins.
O fotógrafo Manoel Junior apresentou na noite de terça-feira, 9 de setembro, a exposição Ritos de Batismo Indígena do Tocantins, que documenta em imagens as cerimônias de diferentes etnias, como Carajás, Javaé e Craô. A mostra segue até o dia 20 de setembro, com entrada gratuita, no Campus Graciosa da Unitins.
Durante entrevista à TV Norte Tocantins, Manoel explicou o objetivo do projeto:
“O projeto A Passagem fala sobre as três cerimônias, as mais importantes cerimônias de batismo indígena no Tocantins, que é a cerimônia dos Carajás, dos povos de Carajás, Javaés e Craôs, né. Cada cerimônia tem um tipo diferente de fazer o seu batismo. E nessa exposição eu tô mostrando as três cerimônias, né. E trazendo pro público, porque muita gente não conhece como é o batismo indígena. Porque tem toda a questão não só de rituais, né, mas também a participação da comunidade. A comunidade toda envolvida na questão de promover a cerimônia de batismo”.

Ele também destacou o simbolismo de cada ritual:
“Porque o batismo deles é transformar as crianças, meninos, homens, em guerreiros. Então só os homens participam. Já no Kraô, batizam mulheres, crianças e meninos e meninas, né. Só que você vê que tem muita criança sendo batizada nos Kraô”.
O fotógrafo descreveu ainda parte do processo das cerimônias:
“A cerimônia onde os aruanãs ficam em volta dos meninos batizados, né. Os aruanãs e os veterinários, né. As crianças batizadas estão ali sentadas junto com seus padrinhos. E eles passam abençoando as crianças. Eles fazem isso durante a madrugada toda, o dia todo, a tarde toda, em horários alternados. Porque eles têm uma questão muito espiritual nesses rituais, né. A crença espiritual, a crença dos povos originários com relação a cultura deles é muito forte”.
As fotografias revelam não apenas os rituais, mas também instrumentos, aldeias e indumentárias utilizadas pelos povos — confeccionadas com palha, sementes e pigmentos naturais. Essas celebrações podem variar de 30 dias a até seis meses de duração, como relatou o fotógrafo:
“Eles se vestem com as indumentárias. E essas indumentárias são utilizadas pra fazer a cerimônia de batismo. Ela dura uma média de seis meses a trinta dias. Tem cerimônia que dura seis meses. Ela começa agora em agosto e vai até março. A Hereraô, ela dura três meses. E a dos Craô dura trinta dias”.

Cotidiano das aldeias.
Durante três anos de trabalho, Manoel também registrou aspectos do cotidiano das aldeias, como a alimentação tradicional.
“O Paparuto, o que que eles fazem? A comunidade se une, ela é feita de farinha de milho, farinha de mandioca, com carne de frango, de gado ou peixe, né. E eles enterram ela no fogo. Ela fica enterrada durante vinte e quatro horas. E no outro dia é servido pra toda a comunidade”. Conforme contou
O fotógrafo ressaltou que todo o processo foi realizado em diálogo com as lideranças indígenas:
“A gente sempre trabalhava com equipe e sempre teve a questão do respeito, né. Porque quando você chega num território indígena, você tem que buscar o respeito. É, pedir autorização para o cacique, explicar o trabalho que você tá fazendo, a importância desse trabalho para a comunidade. Graças a Deus, os caciques sempre receberam a gente muito bem. E eles autorizavam a gente registrar os trabalhos, né. Realizar o trabalho lá. E registramos tudo, acompanhamos tudo”.
Por fim, a exposição Ritos de Batismo Indígena do Tocantins segue em cartaz até 20 de setembro, no Campus Graciosa da Unitins, Contudo, a partir do dia 22 inicia circulação por diferentes cidades do estado, ampliando o acesso do público a esse registro único da cultura indígena.