Coro de Câmara celebra volta à Paraíba após turnê pelo norte e nordeste.

Coro de Campina Grande leva repertório afroindígena em turnê pelo Norte e Nordeste do país.
Redação Amazônia Incrível
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O Coro de Câmara de Campina Grande acaba de retornar de uma turnê pelos estados de Pernambuco, Maranhão, Pará e Amazonas, onde apresentou o espetáculo Vozes Ancestrais. O projeto leva aos palcos a música coral afroindígena brasileira, promovendo uma narrativa de superação e valorização de culturas muitas vezes invisibilizadas no cenário coral tradicional.

A turnê integrou a retomada do Projeto Pixinguinha, passando por cidades como São Luís (MA), Belém (PA) e Manaus (AM) entre os dias 12 e 22 de agosto. Para o grupo, a experiência foi uma oportunidade de mergulhar na diversidade cultural do país e de compartilhar, com diferentes públicos, um repertório que resgata memórias e identidades.

O cantor Alexandre Negreiro destacou a relevância dessa vivência:

“Eu acho que foi uma experiência incrível, muito enriquecedora, principalmente para mim como músico, estudante e licenciadora em música, poder presenciar a pluralidade desses três estados, um no Nordeste e os outros dois no Norte”.

Já o músico Lucas Barreto ressaltou o desafio de apresentar a música afro-brasileira em um ambiente historicamente marcado por influências eurocêntricas:

“A concorrência gigante, você poder estar levando a música coral, principalmente da nossa região, Campina Grande, Paraíba, ser selecionado para poder estar representando esse tipo de música é uma honra grande, principalmente por estar furando a bolha, já que a música coral está inserida naquele ambiente mais voltado para a música eurocêntrica, música europeia, música cristã”.

Ele complementa: “A gente está fazendo outro tipo de repertório, levar a cultura afroindígena brasileira, cantar a música dos povos originários, cantar música africana, de matrizes africanas, fazendo música de compositoras paraibanas, compostoras mulheres, então é algo de muita relevância, que enriquece mais essa experiência”.

Selecionado em 2023 entre quase mil propostas submetidas ao Programa Bolsa Funarte Pixinguinha de Música, o projeto buscou valorizar compositores brasileiros que incorporam tradições afroindígenas em suas obras.

O maestro Vladimir Silva reforçou a dedicação envolvida no processo:
“Esse foi um projeto que nós revisamos várias vezes, para poder encontrar o ponto certo, o diferencial que iria dar essa premiação. Então, nós escolhemos esse repertório de forma muito criteriosa, incluímos essas visitas aos territórios, esse intercâmbio com as comunidades locais, porque entendemos que não basta apenas cantar, mas também aprender nesse processo”.

Em Manaus, o Coro se apresentou na Catedral Metropolitana, no Teatro da Instalação, no Parque das Tribos e no Museu da Amazônia, entre os dias 19 e 21 de agosto, consolidando uma conexão profunda entre música, cultura e memória ancestral.

Fonte: TV Borborema

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