Damasceno Gregório dos Santos, conhecido como mestre Damaceno, morreu na madrugada desta terça-feira, aos 71 anos, em Belém. Ele estava internado havia dois meses tratando pneumonia e insuficiência renal.
O músico nasceu em 22 de julho de 1954, na comunidade quilombola de Salvar, em Salvaterra, no arquipélago do Marajó. Perdeu a visão aos 19 anos, mas aprendeu a perceber a música pelos ritmos da tradição local, especialmente o carimbó, marcado pelo uso do tronco escavado, maracás e tambor.
Nos últimos meses, Damasceno passou por exames que identificaram enfisema pulmonar e nódulos, levando à sua transferência para unidades hospitalares em Belém. Durante esse período, também foi diagnosticado com câncer em estado avançado.
Guto Melo, produtor do Meste Damasceno revelou como foi todo o processo. “Desde o início do ano a gente vem fazendo uns exames, fazendo baterias de exames, só que foi detectado um efisema pulmonar nele, e aí ele internou em junho em Salvaterra. De Salvaterra ele veio já transferido, onde foi super bem atendido, fez uma bateria de exames. Nesses exames foram detectados alguns nódulos, né, e depois disso ele foi transferido para o Filoiola, já sendo um paciente oncológico”
E finalizou lembrando da força do artista. “É uma energia positiva que a gente não sabe explicar. É uma pessoa muito iluminada, muito encantada”.

O mestre Damasceno foi inspiração para o livro Mestre Damaceno e as Cantorias do Marajó, de Antônio Carlos Pimentel Júnior, e foi homenageado na Feira Pan-Amazônica do Livro. Sua trajetória representa a história de um menino quilombola que se tornou símbolo da cultura amazônica. Como revelou o autor.
“Conta a história do meninoquilombola que se tornou um símbolo da cultura da Amazônia. Mestre Damaceno cantou sua terra e sua gente, e eu pude conhecer um ser humano humilde e um artista que compunha com impressionante naturalidade”. Ressaltou Antônio Carlos.
O governo do Pará decretou luto oficial de três dias. Mestre Damaceno compartilha a data de nascimento com o Dia Municipal do Carimbó e com o nascimento de outro ícone do ritmo, o mestre Verequete. Segundo a tradição afro-indígena, ambos agora são considerados seres encantados, deixando um legado que ultrapassa gerações.