Lançamento de livro propõe novo olhar sobre Manaus a partir de Jules Verne

Livro propõe uma análise inédita da obra de Jules Verne e sua relação com a imagem de Manaus.
Redação Amazônia Incrível
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Nesta quarta-feira, 9 de julho, a partir das 17h30, o salão de eventos da editora Valer Teatro recebe o lançamento do livro “Manaus refletida no espelho de Verne”, de Otoni Mesquita — professor, escritor, historiador e artista plástico com ampla trajetória na pesquisa da Amazônia. A entrada é gratuita, e ao final do evento haverá sessão de autógrafos com o autor.

A obra integra a coleção Reflexões Amazônicas, que reúne autores de diferentes áreas do conhecimento dedicados a pensar e retratar as múltiplas faces da região. Neste volume, Mesquita propõe uma análise inédita sobre “La Jangada”, romance do francês Jules Verne, e investiga como a narrativa e as ilustrações do livro contribuem para a construção da imagem da cidade de Manaus.

Mais do que uma leitura literária, o estudo explora os elementos iconográficos associados à fundação da cidade: suas gentes, arquitetura, a influência europeia, a visão dos naturalistas viajantes e a arte produzida ou inspirada pelo cenário manauara.

Segundo Neiza Teixeira, doutora em Filosofia e coordenadora editorial da Valer, a obra centra-se principalmente nas gravuras que ilustram a flora, fauna e os habitantes da Amazônia, revelando um imaginário que ainda hoje molda o modo como a região é vista. “Este estudo, além de raro, oferece uma nova maneira de conhecer Manaus”, destaca Neiza, autora de Para aquém ou para além de nós.

Lançamento de livro propõe novo olhar sobre Manaus a partir de Jules Verne

Para Otoni Mesquita, embora a ficção de Verne não tenha a obrigação de seguir um rigor histórico, suas descrições abrem espaço para interpretações simbólicas e culturais que ajudam a compreender como a cidade foi representada no imaginário europeu. “Hoje, já não há resistência em aceitar que também podemos estudar a história da imagem a partir de fontes literárias e artísticas”, explica o autor.

A orelha do livro é assinada por Francisca de Lourdes Louro, doutora em Poética e Hermenêutica pela Universidade de Coimbra, que destaca o olhar apurado de Otoni sobre as imagens do ilustrador Léon Benett. “O autor compreendeu a ousadia do artista ao sintetizar 336 páginas em uma xilogravura. Ele mergulhou nesse olhar múltiplo, ora observa, ora analisa, ora sonda…”, escreve Francisca.

O estudo também estabelece conexões entre Verne e outras figuras que retrataram a Amazônia, como Alexander von Humboldt, reforçando a ideia de que, por meio da arte e da literatura, é possível acessar camadas profundas da história da região. O autor destaca ainda a grandiosidade do rio Amazonas, descrito por Verne como um gigante caudaloso, despejando no Atlântico impressionantes 250 milhões de metros cúbicos de água por hora — metáfora perfeita para a vastidão da curiosidade que inspirou a pesquisa.

Mesquita propõe uma narrativa onde mito e história dialogam com as atitudes humanas no tempo, costurando uma leitura que vai além da análise textual e se aproxima de um mergulho sensível na cultura amazônica.

Sobre o autor

Otoni Moreira de Mesquita é doutor em História Social, historiador, artista plástico e professor aposentado do Departamento de Artes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Seu trabalho é amplamente reconhecido pelas contribuições ao estudo da identidade amazônica por meio das artes e da história.

Sobre a coleção Reflexões Amazônicas

Criada pela Editora Valer, a coleção Reflexões Amazônicas tem como proposta oferecer leituras acessíveis e consistentes sobre a região. Os livros são curtos, fáceis de transportar e abordam temas essenciais que interessam tanto ao público especializado quanto a leitores curiosos sobre a Amazônia.

A coleção reúne autores que vivem ou pesquisam as Amazônias, dando voz a quem conhece a região de dentro. Os temas também incluem estudos desenvolvidos por pesquisadores de outros estados e países, sempre com o objetivo de lançar novos olhares sobre uma área ainda pouco conhecida, embora frequentemente citada, explorada e imaginada.

“Nossa maior motivação é que esta coleção nos ajude a conhecer melhor a nossa aldeia”, resume a editora.

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