Conheça a história do Constelattion, avião da Panair que caiu no Rio Preto da Eva em 1962

Conheça a história do acidente aéreo com o avião Constellation da Panair que caiu na Amazônia em 1962, uma das maiores tragédias da aviação brasileira.
Redação Amazônia Incrível
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Em dezembro de 2025, completa-se 63 anos de uma das maiores tragédias da aviação brasileira: a queda do avião Constellation, da Panair do Brasil, em plena floresta amazônica. O acidente, ocorrido na madrugada do dia 14 de dezembro de 1962, segue vivo na memória dos mais antigos e permanece como um dos episódios mais dramáticos da aviação civil no país.

A aeronave, prefixo PP-PDE, vinha do Rio de Janeiro, com parada em Belém, e seguia para Manaus, seu destino final. No entanto, a poucos minutos do pouso no então aeroporto de Ponta Pelada, perdeu contato com a torre de controle. Às 1h19, após um breve diálogo com o rádio operador, o silêncio tomou conta da comunicação. Pouco depois, o avião desaparecia do radar.

À bordo estavam 44 passageiros e seis tripulantes. Nenhum sobreviveu.

A queda aconteceu em uma área de selva densa, nas proximidades de Rio Preto da Eva, a cerca de 40 quilômetros de Manaus. O local do impacto foi tão inacessível que as buscas duraram vários dias e exigiram esforços conjuntos de militares, civis e funcionários da Petrobras.

Uma epopeia na floresta

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O desaparecimento da aeronave mobilizou forças aéreas e terrestres. A Força Aérea Brasileira (FAB) assumiu a operação de busca com o apoio da Petrobras e outros órgãos do governo. No dia 14, ao amanhecer, já havia aviões sobrevoando a área provável do acidente. Mas foi apenas no dia seguinte que uma clareira foi avistada por um dos Catalinas da Panair: o Constellation havia aberto um espaço de 345 metros em meio às árvores de 40 metros de altura.

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No dia 21 de dezembro, sete dias após a queda, a expedição da Petrobras liderada por civis e engenheiros conseguiu chegar ao local. O cenário encontrado era de absoluta destruição. Destroços espalhados, ferragens retorcidas e corpos em avançado estado de decomposição testemunhavam o impacto violento da queda. O jornalista Eduardo Ramalho, da revista O Cruzeiro, acompanhou a equipe e descreveu em detalhes o cenário trágico, incluindo o momento em que os primeiros restos humanos foram encontrados – entre eles, o que se presume ser o da aeromoça, reconhecido apenas por uma cabeleira loira boiando em um igarapé.

Memória e homenagem

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Após a confirmação da tragédia, iniciaram-se os trabalhos de resgate dos corpos e recuperação dos destroços. A operação exigiu logística complexa e envolveu tanto civis quanto militares. A comoção foi nacional, com grande cobertura da imprensa e homenagens às vítimas.

Hoje, o local da queda está sob responsabilidade do Exército Brasileiro. Ali, o Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) realiza anualmente uma marcha até a “Clareira do Avião”, em homenagem aos mortos e aos esforços heroicos das equipes de resgate. A cerimônia também relembra a solidariedade entre civis e militares durante a operação.

Mais de meio século depois, a tragédia do Constellation da Panair segue como símbolo de luta, coragem e memória. Uma lembrança silenciosa no coração da floresta amazônica, onde vozes se calaram, mas nunca foram esquecidas.

 

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