Tem artistas que não dependem da nostalgia para permanecer relevantes. Guilherme Arantes é um deles. Em sua passagem por Manaus com a turnê de 50 anos de carreira, o cantor mostrou que existe uma diferença enorme entre apenas revisitar sucessos e continuar artisticamente vivo.
Uma atmosfera soul bossa, elegante e extremamente confortável de ouvir. Guilherme mantém uma voz impecável, madura, segura e emocionalmente conectada com o repertório. Não existe esforço aparente, apenas um artista que entende exatamente o espaço que ocupa na música brasileira.
E foi bonito perceber que o público também refletia isso.

Entre casais, fãs antigos e jovens acompanhando pais e avós, o show virou quase um encontro entre gerações. Uma troca afetiva construída através das músicas que atravessaram décadas sem perder delicadeza. Existe algo muito poderoso quando artistas conseguem permanecer atuais sem precisar abandonar sua essência.
Os grandes clássicos vieram, claro. Mas as músicas novas também encontraram espaço e mostraram que Guilherme Arantes continua criativamente afiado. E isso talvez tenha sido uma das coisas que mais me chamou atenção na noite: o prazer de ver um compositor que ainda deseja criar, experimentar e entregar novas canções ao público.
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Inclusive, comprei um dos CDs novos. E foi impossível não pensar em como é raro encontrar artistas que continuam produzindo obras tão honestas e agradáveis quanto aquelas que marcaram gerações.
E sim, precisamos falar sobre o som. Principalmente porque, nos shows recentes de Capital Inicial e Ira! em Manaus, muita gente saiu frustrada com problemas técnicos, momentos sem áudio e dificuldades para ouvir parte das apresentações. Isso impacta diretamente a experiência do público — especialmente quando estamos falando de bandas que carregam memórias afetivas tão fortes.

Por isso a apresentação de Guilherme Arantes merece destaque também nesse aspecto: estava tudo alinhado com os planetas. Som limpo, equilibrado, confortável e extremamente bem regulado. Banda precisa, voz clara e uma experiência sonora que permitia ao público simplesmente mergulhar na música sem distrações ou irritações técnicas.
E talvez isso pareça detalhe para quem nunca viveu um show comprometido pelo áudio. Mas não é. Quando o som funciona, a música respira.