Caminhos da Ancestralidade e a moda que nasce da floresta – por Sha Antunes

Eglisson apresenta sua terceira grande coleção mostrando que a moda amazônica não precisa escolher entre tradição e modernidade.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

*Colaboração Sha Antunes – colunista do Amazônia Incrível 

Existe algo muito poderoso quando um artista amazonense decide transformar memória em linguagem. Não apenas estética, mas pertencimento. Na noite do dia 14 de maio, Eglisson Gomez apresentou a coleção Caminhos da Ancestralidade, uma proposta que conecta moda às raízes amazônicas e mostra que vestir também pode ser uma forma de contar histórias.

E talvez seja exatamente isso que torna o período de Festival de Parintins tão especial: ninguém vai apenas para assistir ao festival. As pessoas querem viver a experiência inteira. Querem vestir pertencimento, identidade e memória.

A coleção chega justamente para os amantes da Ilha da Magia que já começam a pensar nos looks dos eventos bovinos. Mas diferente de uma moda feita apenas para tendência, Eglisson propõe peças carregadas de referências da floresta, dos rios e das vivências amazônicas.

Natural de Lábrea, no sul do Amazonas, o artista leva para suas criações muito da raiz familiar, das culturas indígenas, do olhar do ribeirinho e do mateiro. E isso ganha ainda mais profundidade quando entendemos que ele também é biólogo. Existe ciência no processo criativo, conhecimento sobre as plantas da Amazônia e uma preocupação em integrar materiais regionais de maneira sofisticada e contemporânea.

Foto da esquerda para direita: advogada Yone Melo, a jornalista Bruna Chagas, o artista Jhonny Souza e o escritor Eber Bentes

Eglisson apresenta sua terceira grande coleção mostrando que a moda amazônica não precisa escolher entre tradição e modernidade. Ela pode ser as duas coisas. Pode carregar ancestralidade sem deixar de dialogar com o presente.

E eu gosto quando vejo artistas da nossa região ocupando esses espaços sem precisar suavizar suas origens. Porque durante muito tempo tentaram resumir a Amazônia apenas à paisagem. Mas a Amazônia também é criação, conceito, estética e potência cultural.

*Sha Antunes é designer, idealizadora do Ecos do Norte, empreendedora e repórter, movida pela criatividade e paixão à cultura. Amante de uma boa música na vitrola, está sempre em busca de shows gratuitos e experiências culturais acessíveis. Mãe de uma bailarina que também compartilha esse amor pela arte, as duas dividem outra grande paixão: o Caprichoso. Defensora ativa de políticas públicas voltadas à cultura, Sha acredita no poder transformador da arte na vida das pessoas e na construção de uma sociedade mais sensível e diversa.

Carregar Comentários