Manaus recebe, nesta sexta-feira (15), a primeira edição do Festival Literário da Amazônia Periférica (FLAP). O evento acontece das 8h às 18h, na Casa Teatro Tauá Caá, localizada na Rua Santa Eliana, nº 19, no bairro Santa Etelvina, Zona Norte da capital amazonense.
Idealizado pelo Allegriah Grupo de Arte e Cultura (AGAC) e coordenado pela artista e escritora Jackeline Monteiro, criadora do Movimento Literário Aglomeração Poética (MLAP), o festival busca fortalecer e ampliar a visibilidade da literatura marginal produzida nas periferias amazônicas.
“A Literatura Marginal surge como um movimento de voz, resistência e existência. Ela rompe com a ideia de que apenas determinados corpos, espaços ou linguagens podem produzir literatura. É uma escrita que nasce da experiência vivida, das urgências do cotidiano, das memórias coletivas e dos modos de sobreviver e inventar vida nas periferias. É nas margens que encontramos as periferias urbanas, os interiores, os territórios ribeirinhos, os becos, os barrancos e tantas outras geografias amazônicas atravessadas por potências poéticas.” Ressalta a coordenadora do projeto, também escritora e pesquisadora Jackeline Monteiro, criadora do movimento Aglomeração Poética.
Além de promover encontros literários, o FLAP pretende aproximar produções culturais periféricas dos espaços centrais da cena artística local. Dessa forma, o festival cria conexões entre diferentes territórios e experiências amazônicas.

A escolha da Casa Teatro Tauá Caá dialoga diretamente com a proposta do festival. Isso porque o espaço atua em uma área descentralizada da cidade e mantém forte ligação com manifestações culturais populares, saberes comunitários e produções periféricas.
Além disso, a parceria com o coletivo Allegriah surgiu da aproximação entre iniciativas que valorizam a cultura amazônida e as vozes periféricas.
O festival conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, por meio do Conselho Municipal de Cultura de Manaus.
Leia também:
Salvator Rosa estreia no FAO com drama político e música lírica
Programação reúne slam, oficinas e rodas de conversa
A programação do FLAP contará com a participação de 12 poetas de diferentes zonas da cidade na Batalha Poética FLAP, dividida em duas categorias.
O “Prêmio Rebentação de Versos” será dedicado à poesia falada, ao slam e às experimentações livres de linguagem. Já o “Prêmio Raiz de Palavra” destacará poesias com estruturas mais tradicionais, como sonetos, poesias líricas e formas clássicas de escrita.
Além disso, as disputas premiarão os três primeiros colocados de cada categoria.
O evento também promoverá três oficinas formativas:
“Rascunhos de Barrancos: Inventivências da Margem”, com Guilherme Araújo;
“Palavra Encarnada: da escrita ao corpo”, conduzida por Deihvisom Caelum;
“Riscando Vozes: criação e presença na poesia marginal”, ministrada por Will Dero.
Além das oficinas, o público poderá participar de duas rodas de conversa:
“Entre Vielas e Igarapés: inventidades que escrevem”;
“Nome, Voz e Barranco: Quem escreve das beiras?”.
Durante a programação, também haverá sorteio de livros e brindes.

Segundo a organização, o FLAP busca ampliar o espaço da poesia marginal em Manaus e incentivar a participação da comunidade em atividades literárias e culturais.
“Quando falamos de poesia dentro desse movimento, não nos referimos apenas ao poema escrito. A poesia também está presente no slam, na oralidade, na música, no corpo em cena, nas narrativas populares, na performance e em todas as manifestações artísticas que emergem desses territórios. São artistas que inventam modos de existência e vida por meio da arte, transformando suas vivências em linguagem, denúncia, encontro e encantamento. O FLAP nasce justamente desse desejo de criar um espaço onde essas vozes amazônidas, periféricas e marginalizadas possam ecoar, ocupar e celebrar suas próprias narrativas.” Declara a coordenadora, Jackeline Monteiro.

Evento recebe apoio da Política Nacional Aldir Blanc
A iniciativa recebe recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, por meio do Edital de Chamamento Público nº 009/2024, voltado à seleção de festivais culturais em áreas periféricas, ribeirinhas e de povos tradicionais de Manaus, realizado pelo Conselho Municipal de Cultura e Manauscult.
O Allegriah desenvolve atividades culturais independentes há mais de uma década em Manaus e em municípios do interior do Amazonas.
O coletivo realiza apresentações artísticas, oficinas, ações formativas e eventos voltados a diferentes públicos. Além disso, mantém parcerias com universidades, associações, escolas e outros coletivos culturais.
Serviço
Evento: FLAP – Festival Literário da Amazônia Periférica
Local: Casa Teatro Tauá Caá – Rua Santa Eliana, nº 19, bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus
Data: Sexta-feira, 15 de maio, das 8h às 18h
Entrada: Gratuita e aberta ao público
Mais informações: Instagram @allegriahoficial
Imprensa: (92) 98258-9133 – Wanessa Leal