O Amazonas conclui a primeira formação voltada à dramaturgia circense com o projeto “Circo-Escrituras”, realizado em Manaus. O curso começou em fevereiro e segue até a segunda semana de março, reunindo artistas e pesquisadores interessados na análise e criação de dramaturgias para espetáculos de circo.
A iniciativa é organizada pelo Núcleo Amazônico de Pesquisa e Formação em Dramaturgias Circenses e foi contemplada pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O projeto conta com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e do Conselho Estadual de Cultura, além do Ministério da Cultura.
A proposta oferece imersão gratuita em processos criativos e análise dramatúrgica, reunindo profissionais das artes cênicas interessados em desenvolver pesquisas e projetos ligados ao universo do circo.
Segundo a idealizadora do projeto, Lis Nobre, a procura pelo curso superou a expectativa inicial.
“Ficamos muito felizes com a recepção e grande adesão da comunidade das artes cênicas de nossa cidade. Até tivemos que ampliar o período de inscrição e alterar o cronograma por conta do interesse da comunidade em participar do projeto”, afirmou.
Seleção e metodologia
O processo seletivo ocorreu em janeiro e exigiu que os candidatos apresentassem uma nota de intenção dramatúrgica de até dez linhas. Os selecionados desenvolveram propostas que combinam circo, dança e teatro, com pesquisas que envolvem linguagens como clown, manipulação de aparelhos e técnicas aéreas.
O curso tem carga horária de 44 horas e combina aulas presenciais e mentorias online. As atividades incluem exercícios corporais, experimentação de processos criativos e discussões coletivas entre os participantes.
As aulas presenciais ocorrem no Centro de Artes 2 da Universidade Federal do Amazonas (CAUA 2/Ufam), localizado no centro histórico de Manaus.
Equipe de formação
A formação é conduzida por integrantes do Núcleo Amazônico de Pesquisa e Formação em Dramaturgias Circenses. Além de Lis Nobre, participam da condução das atividades Yara Costa, professora do curso de dança da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Teffy Rojas, artista circense e fundadora do coletivo Laboratório Rojo; e Jean Winder, educador e fundador da companhia amazonense Circo Caboclo.
Para Lis Nobre, o curso também busca ampliar o debate sobre criação artística no circo.
“Ao longo de quase quatro semanas do ‘Circo-Escrituras’, temos mergulhado em águas profundas e movimentos criativos singulares e coletivos. Esperamos que, deste mergulho, possam emergir práticas ainda mais consistentes, maduras, abertas, fortalecendo identidades e criando pontes e referências do Amazonas para o mundo”. declarou.