O Pará concentrou 90,4% da produção de açaí no Brasil em 2022, segundo levantamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). No período, o estado produziu cerca de 1,7 milhão de toneladas do fruto, consolidando-se como principal polo nacional.
De acordo com a pesquisa, nove municípios paraenses lideram o ranking brasileiro. Entre eles, destaca-se Igarapé-Miri, responsável por 21,7% da produção nacional, com 422,7 mil toneladas. Em seguida aparecem Cametá, com 8%, e Abaetetuba, com 5,8%.
O levantamento aponta que 14 estados brasileiros participaram da produção de açaí em 2022. Além do Pará, os destaques foram o Amazonas, com 7,4%, e o Maranhão, com 1,1%.
Ainda segundo a Fapespa, o estado superou a média nacional de crescimento, que foi de 13,8%, ao registrar 14,1% em 2022. O percentual representa um acréscimo de 217,8 mil toneladas na produção anual, contribuindo para o abastecimento interno e para o mercado externo.
Exportações cresceram nas últimas décadas
Os dados também mostram avanço nas exportações do açaí e de seus derivados. Em 1999, o volume exportado era inferior a 1 tonelada. Em 2023, o número superou 61 mil toneladas.
No mesmo período, o valor das exportações passou de cerca de US$ 1,00 para US$ 45 milhões. Os preços dos produtos derivados no mercado internacional registraram aumento superior a 5.000% entre 1999 e 2023, indicando maior valorização do fruto fora do país.
Setor amplia número de empreendimentos
Outro indicador apresentado pela pesquisa está relacionado ao crescimento dos empreendimentos que utilizam o açaí como matéria-prima. Segundo os três últimos Censos Agropecuários, o Pará passou de 13 mil estabelecimentos em 1996 para mais de 81 mil em 2017, um aumento de 533% em 22 anos.
No mercado de trabalho, os vínculos formais ligados ao setor também cresceram. Entre 2010 e 2022, houve aumento de 864,5%, com o número de contratações passando de 288 para 598.
Além da relevância econômica, os dados reforçam o papel do açaí como elemento central da cultura alimentar, da identidade regional e das práticas tradicionais das comunidades amazônicas.