Espaço Chico Mendes na COP30 destaca legado do líder seringueiro

Espaço na COP30 destaca legado do líder seringueiro Chico Mendes e enfrenta impactos ambientais atuais.
Redação Amazônia Incrível
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O Espaço Chico Mendes e Fundação Banco do Brasil na COP30 foi inaugurado no campus de pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi, na Avenida Perimetral, em Belém. A abertura reuniu lideranças, pesquisadores, comunitários e visitantes que foram recebidos com um ritual de boas-vindas. Logo na entrada, uma exposição ao ar livre apresenta a trajetória de Chico Mendes, seringueiro acreano que se tornou símbolo mundial da luta contra o desmatamento e da defesa dos povos da floresta.

Um dos destaques é a réplica da casa onde Chico Mendes viveu, em Xapuri (AC), hoje transformada em memorial desde 2007. Considerado patrimônio cultural brasileiro, o local segue como referência afetiva e política. A neta de Chico, Angélica Mendes, lembrou que o espaço também enfrenta os impactos ambientais contemporâneos:

“É uma memória viva que também sofre com o tempo e com as mudanças climáticas. Em 2023, a casa do meu avô quase foi coberta pela água durante uma grande enchente em Xapuri. É um símbolo de resistência, de memória e parte essencial da nossa história”, afirmou.

O espaço conta ainda com uma sala de cinema em formato de domo, onde o público vivencia uma imersão em 360 graus sobre a vida e o legado do líder seringueiro. O roteiro, intitulado Do Firmamento à Carta ao Jovem do Futuro, foi criado pelo roteirista e diretor artístico Ézio Deda.

Espaço Chico Mendes na COP30 destaca legado do líder seringueiro e debate soluções para a Amazônia

Segundo ele, o filme recria uma carta em que Chico Mendes projeta o futuro da Amazônia mais de 100 anos à frente. A voz do ativista foi reconstituída com apoio de tecnologia de inteligência artificial:
“Gravamos a voz original e, com IA, conseguimos reproduzir a narração da carta que ele mesmo escreveu”, explica Deda.

Ao longo de 15 dias, em uma área de 7 mil metros quadrados, o espaço receberá uma programação intensa com plenárias, painéis, oficinas, shows, exibições de filmes e exposições temáticas. A entrada é gratuita.

O projeto é uma realização do Comitê Chico Mendes, do Conselho Nacional das Populações Extrativistas e da Fundação Banco do Brasil, com apoio do Memorial Chico Mendes, do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Para o diretor do Museu, Nilson Gabas, o espaço é um ponto de encontro entre ciência, memória e mobilização social:
“Pretendemos realizar uma série de debates com comunidades tradicionais para divulgar o trabalho de Chico Mendes. Ele foi um pioneiro na defesa do extrativismo sustentável no Brasil.”

Já Maria Oliveira, gerente estratégica da Fundação Banco do Brasil, destaca que o espaço reforça o papel dos movimentos sociais na pauta climática:
“A COP30 discute as mudanças climáticas, e Chico Mendes é patrono brasileiro do meio ambiente. Trazer seu legado para este local é reafirmar a importância de ouvir as comunidades e construir soluções justas e participativas para a transição ecológica.”

O Espaço Chico Mendes surge como ponto de reflexão, formação e diálogo, lembrando que a luta pela Amazônia permanece viva — e coletiva.

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