A nova safra de borracha nativa na Amazônia encerra o ciclo produtivo deste ano com um marco importante: mais de 160 toneladas produzidas e quase 600 famílias envolvidas diretamente na atividade. A produção reúne comunidades do Amazonas, Acre e Rondônia e reforça o papel do extrativismo como alternativa econômica sustentável na região.
A borracha é retirada de forma tradicional, diretamente da seringueira, sem derrubar a árvore. O modelo mantém a floresta em pé e garante renda às populações ribeirinhas e extrativistas, especialmente em unidades de conservação.

Segundo o engenheiro florestal do projeto Jhansem Siqueira, “esse trabalho é um trabalho aliado com a floresta, que mantém a floresta, mantém as tradições dessas populações ribeirinhas, mantém, acima de tudo, o processo de governança do território, por meio dessas organizações que participam, associações, cooperativas, e todo esse apoio que essa rede de organizações acaba dando”.
Ele destaca ainda que “a floresta funciona como um ecossistema, mas também como um sistema sócio, ecológico e econômico, gerando renda e qualidade de vida para essas pessoas”.
Crescimento da produção ano a ano
O projeto de revitalização da cadeia da borracha tem quatro anos e apresenta crescimento contínuo. No primeiro ano foram produzidas 65 toneladas. Depois, 135 toneladas, 150 toneladas e, nesta safra, 162 toneladas.
Como contou o engenheiro. “Essa atividade de produção de borracha já foi o grande pilar econômico desse estado, então nós estamos revitalizando essa atividade de novo. Esse projeto tem quatro anos”.
Ele completa: “isso acaba garantindo a geração de renda na base, lá no interior do estado, lá nas comunidades extrativistas, principalmente em unidades de conservação, as chamadas reservas. A borracha nativa é considerada uma alternativa econômica sustentável”.
Desafios climáticos e fortalecimento da cadeia

Mesmo com períodos de seca severa e cheias intensas, reflexo das mudanças climáticas, os extrativistas mantiveram a atividade. A última carga da safra foi retirada em um porto da zona sul de Manaus, marcando o encerramento de mais um ciclo produtivo.
Além do impacto econômico, a cadeia produtiva da borracha também ganhou projeção nacional. “Esse ano foram quase 600 famílias. Então, nós conseguimos envolver sete municípios aqui no estado do Amazonas e esse ano também nós conseguimos, por conta de atividades como a Semana da Sociobiodiversidade em Brasília e a COP30 em Belém, dialogar com outras organizações de outros estados e conseguimos envolver a produção do estado do Acre, Chapuri e Rondônia no município de Machadinho do Oeste”, afirmou um dos organizadores.
Floresta em pé, economia ativa
A retomada da produção de borracha nativa mostra que desenvolvimento e preservação podem caminhar juntos. Além de gerar renda, a atividade valoriza o conhecimento tradicional, fortalece a governança comunitária e contribui para a conservação ambiental.
Na Amazônia, a floresta viva segue como fonte de trabalho, cultura e futuro para centenas de famílias que transformam o extrativismo em sustento e resistência.